Domingo é dia de Zumbi

Pela sexta vez, desde que foi instituido como Dia da Consciência Negra em 1971, a reverência a Zumbi dos Palmares acontecerá em um domingo.
Nesta quadragésima homenagem, as populações afrodescendentes do Planalto Central celebrarão os 316 anos de morte do herói negro em seis cidades satélites do Distrito Federal: Brazlandia, Ceilandia, Paronoá, São Sebastião e Sobradinho.

As atrações vão desde manifestações de comunidades tradicionais de terreiro e religiões de matriz africanas até atividades de esportes radicais como skate e programações tecno inspiradas nas festas blacks.

A comissão organizadora da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial do Distrito Federal – SEPIRDF estima que cerca de 20 mil pessoas transitem por tendas temáticas e áreas reservadas a shows musicais.

Locais: Ceilândia, Ginasio Desportivo de Ceilândia, Centro Cultural

Fonte: Sepir DF

Nota da Seppir sobre a Campanha dos 150 anos da Caixa Econômica Federal

A CEF tem, em muitos momentos, assegurado em seus anúncios a representação da diversidade étnico-racial e de gênero. A homenagem ao poeta Oliveira Silveira no 20 de Novembro de 2009/2010, é um exemplo significativo de reconhecimento da contribuição cultural e literária dos afrodescendentes.

No entanto, deve-se lamentar o episódio da campanha que traz Machado de Assis, um dos primeiros poupadores da Caixa, representado por um ator branco. Uma solução publicitária de todo inadequada por contribuir para a invisibilização dos afro-brasileiros, distorcendo evidências pessoais e coletivas relevantes para a compreensão da personalidade literária de Machado de Assis, de sua obra e seu contexto histórico.

O episódio acontece exatamente no momento em que estamos, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir-PR) e a CEF, construindo um termo de cooperação que envolve, entre outros, aspectos relacionados à representação de pessoas negras nas ações de comunicação.

Assim, a Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, órgão da Seppir, recebeu denúncia instruída pelo senhor Julio Ribeiro Xavier e outros, sobre a campanha da Caixa que, conforme o denunciante “embranqueceu Machado de Assis”. De acordo com o ouvidor da Seppir, Carlos Alberto Junior, imediatamente providenciou-se a autuação, que gerou um Procedimento Administrativo sob o nº 00041.001108/2011-02.

Entre as medidas adotadas até o momento, foram encaminhados pedidos de providencias para a Presidência e Ouvidoria da Caixa Econômica Federal, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR) e o Ministério Público Federal.

A Seppir entende que, em respeito a sua contribuição na valorização da diversidade brasileira, a Caixa deve corrigir a produção deste vídeo, reconhecendo o equívoco e considerando o diálogo que vem mantendo com a sociedade ao longo da sua trajetória institucional.

Coordenação de Comunicação SEPPIR

Fonte: http://www.seppir.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2011/09/nota-da-seppir-sobre-a-campanha-dos-150-anos-da-caixa-economica-federal. Nota divulgada, dia 19 de setembro de 2011.

Curso para jornalistas vai preparar profissionais para a cobertura de gênero, raça e etnia

Inscrições são gratuitas e começam no dia 20/7. Curso vai acontecer em oito cidades: Belém, Fortaleza, Maceió, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo

De 20 de julho a 3 de agosto, profissionais e estudantes de Jornalismo podem se inscrever no Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas, promovido pela FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas e a ONU Mulheres – Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, com apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR e da Secretaria de Políticas para as Mulheres – SPM. O curso é gratuito, tem certificação da FENAJ e da ONU Mulheres e vai acontecer em oito cidades: Belém (PA), Fortaleza (CE), Maceió (AL), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).

Segundo a coordenação do curso, profissionais e estudantes de regiões metropolitanas, do interior e de regiões próximas aos oito estados podem fazer a inscrição diretamente no sindicato local de jornalistas ou solicitar informação por e-mail. Cada localidade terá o total de 50 vagas a serem preenchidas por jornalistas, repórteres, produtores, pauteiros, redatores, editores, fotógrafos, repórteres cinematográficos de veículos impresso, on-line e eletrônicos e estudantes de Jornalismo a partir do 6º período.

O Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas será realizado no período de 8 de agosto a 1º de setembro de 2011, tendo carga horária de 8 horas/aula, das 18h às 22h. O programa está baseado em dois módulos e duas atividades pedagógicas: Gênero, Raça e Etnia em Sociedade; Jornalismo, Ética e Diversidade; Leitura Crítica da Mídia; e Experiências e Trajetórias Locais: Identificando Novas Fontes. O curso tem como objetivo preparar jornalistas, profissionais da imprensa e estudantes de Jornalismo para a cobertura de pautas relacionadas a gênero, raça e etnia.

 

Data

Localidade

Contato

8 e 9/8/11 Amazonas – Manaus sindicato@jornalistasam.com.br
10 e 11/8/11 Pará – Belém sinjor@jornalistasdopara.com.br
15 e 16/8/11 Ceará – Fortaleza sindjorce@sindjorce.org.br
17 e 18/8/11 Pernambuco – Recife jornalistas-pe@ig.com.br
22 e 23/8/11 Alagoas – Maceió sindjornal@uol.com.br
24 e 25/8/11 Rio de Janeiro – Rio de Janeiro sindicato-rio@jornalistas.org.br
29 e 30/8/11 São Paulo – São Paulo jornalista@sjsp.org.br
31/8 e 1/9/11 Rio Grande do Sul – Porto Alegre sindjors@jornalistasrs.org

 

A iniciativa faz parte da cooperação estabelecida entre a FENAJ e a ONU Mulheres, celebrada no 34º Congresso Nacional dos Jornalistas, para o pleno cumprimento dos princípios dos direitos humanos e marcos internacionais referentes ao gênero, raça e etnia no Brasil e no mundo à luz da liberdade de imprensa. Conta com o apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e da Secretaria de Políticas para as Mulheres.

O curso é desenvolvido com assessoria técnica e financeira do Programa Regional de Incorporação das Dimensões de Gênero, Raça e Etnia nos Programas de Combate à Pobreza da Bolívia, Brasil, Guatemala e Paraguai e do Programa Interagencial de Gênero, Raça e Etnia do Sistema ONU no Brasil, financiado pelo Fundo para o Alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. O curso ocorre no âmbito das atividades do Ano Internacional das e dos Afrodescendentes, estabelecido pelas Nações Unidas, e da Campanha do Secretário-Geral da ONU “Brasil: Una-se pelo fim da violência contra as mulheres”.

 

Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas

Inscrições: 20/7 a 3/8/2011.

Investimento: gratuito, com certificado de 8h/aula emitido pela FENAJ e ONU Mulheres.

Período do curso: 8/8 a 1/9/2011.

Locais: Belém (PA), Fortaleza (CE), Maceió (AL), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).

Fonte: generoracaetniaparajornalistas.wordpress.com

Fonte:

Serginho fala dos desafios à frente do CNPIR

Sérgio Pedro da Silva, o popular Serginho, membro das coordenações do Distrito Federal e nacional da Unegro, é um unegrino de muita luta que acaba de assumir a Secretaria-Executiva do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), órgão consultivo da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).

Nesta entrevista ele fala sobre a sua nova tarefa institucional,dos desafios de dirigir o CNPIR, das ações do Conselho, das atividades da Unegro e do movimento negro em geral.

Natural de Recife (PE), onde começou a militância no movimento estudantil, Serginho é jornalista e designer gráfico. Chegou a Brasília no ano de 1994. Aqui inensificou sua militância no movimento sindical e na Unegro, sendo eleito presidente da entidade no Distrito Federal em 2007. Dois anos depois foi eleito secretario geral da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras– Seção Distrito Federal (CTB/DF).

Serginho foi assessor político da Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal e Região do Entorno – SINTECT/DF de 1999 a início de 2011. É membro da Coordenação Nacional da UNEGRO desde 2007. Participou da fundação do Fórum Permanente Educação e Diversidade Étnico-racial do Distrito Federal e foi coordenador nacional do Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil, representando o Distrito Federal – 2007-2008.

Membro fundador da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira-DF), Serginho também foi articulador do Fórum de Entidades Negras do Distrito Federal, membro da Comissão Organizadora do 1º Encontro Nacional de Combate ao Racismo da CTB, membro da Comissão Organizadora da 2° Conferência Distrital de Promoção da Igualdade Racial do Distrito Federal e membro do Fórum Permanente Educação e Diversidade Étnico-racial do Distrito Federal. Atualmente, estuda Licenciatura da Computação pelo Centro Universitário Claretiano.

 Qual é a função do secretário-executivo do CNPIR?
Serginho –
Bom, tem como finalidade prover as condições para o cumprimento das suas competências do CNPIR, por meio da promoção do necessário apoio técnico, logístico e administrativo.

 Quais desafios você tem à frente dessa nova trincheira de luta?
Serginho –
O desafio é conciliar a função técnica, administrativa, com a ação política, pois lidamos com a sociedade civil e o poder público. Mas é a sociedade organizada que traz grandes contribuições para a formulação de políticas públicas, são os segmentos organizados que estão na ponta onde toda a ação governamental é aplicada, além de serem fiscalizadores dessas ações.

Quando foi criado o CNPIR? E nesse período quais foram os seus principais encaminhamentos?
Serginho –
O Conselho foi criado em 23 de maio de 2003 pela Lei 10.678, no inicio do governo Lula. Vejo que as duas conferências nacionais foram os grandes momentos do CNPIR, pois trouxe toda a sociedade para o debate da igualdade racial, governo e sociedade.

Especificamente, quais os encaminhamentos o CNPIR faz?
Serginho –
O Conselho é consultivo, porém, tem por finalidade propor, em âmbito nacional, políticas de promoção da igualdade racial, com ênfase na população negra e outros seguimentos étnicos da população brasileira, com o objetivo de combater o racismo, o preconceito e a discriminação racial e de reduzir as desigualdades raciais, inclusive no aspecto econômico e financeiro, social, político e cultural, ampliando o processo de controle social sobre as referidas políticas.

Qual a importância para a Unegro ter um de seus coordenadores nessa função?
Serginho –
A importância é a nossa contribuição para o avanço das políticas de promoção da igualdade racial e principalmente o de colaborar com o governo Dilma. Fizemos isso nos oito anos de Lula, cedendo bons quadros para desenvolver o trabalho junto com a equipe da SEPPIR. Cito o Benedito Cintra e o Alexandro Reis. Nesse momento, eu e o Carlos Alberto, que é o Ouvidor, estamos cumprindo essa tarefa.

 O que o cidadão comum pode fazer para ter demanadas coletivas e individuais encaminhadas pelo CNPIR?
Serginho –
Olha, coletivamente já é a natureza do Conselho, por ser um colegiado, onde temos representantes de vários segmentos da sociedade, que vai da religião ao hip hop, dos árabes aos ciganos, portanto, temos uma diversidade e uma coletividade representativa. Na questão individual, acredito que toda ação está diretamente influindo na vida da população, por exemplo é a garantia de assistência a saúde da população negra.

Comente um pouco sobre o atual estágio de organização da Unegro no DF e nacionalmente.
Serginho –
A Unegro no DF está no momento bom, cada vez mais vem se consolidando como uma força do movimento negro, sendo reconhecida pelas demais forças. Agora estamos na fase de formação de novos quadros e com o Congresso Nacional da UNEGRO a ser realizado aqui em Brasília no mês de novembro, fortaleceremos ainda mais a nossa entidade. Sobre a entidade nacionalmente, o 3º Congresso no Rio de Janeiro em 2007 demonstrou que estamos no caminho certo. Hoje posso afirmar que somos a maior entidade no Brasil, são vinte e cinco Estados. Qual a entidade nesse nível?

Quais os desafios da Unegro no DF?
Serginho –
Operar o congresso nacional e sair da informalidade. Temos bons quadros e esse número vem crescendo.

Quais os desafios para o movimento negro em geral?
Serginho –
Estamos na primeira etapa do combate ao racismo, mas vejo que estamos construindo as bases para o futuro e isso passa pela educação, trabalho, saúde e desenvolvimento. Agora, o Brasil já está no centro das decisões, precisamos nós ocupar nosso lugar.

Fonte: Unegro http://unegrodf.blogspot.com/2011/04/entrevista.html
Notícia publicada originalmente em 27/04/2011

Audiência Pública debate o Estatuto de Igualdade Racial e a Seppir

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa vai realizar na segunda-feira, 28, às 10 horas, uma audiência pública, de autoria do senador Paulo Paim, para debater o “Estatuto da Igualdade Racial e os oito anos da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR)”. A audiência pública acontece no Anexo II, Ala Senador Nilo Coelho, Plenário 2, Senado Federal.

Fonte: Seppir

Mudar o cenário de desigualdade racial é desafio para o Brasil, afirma ministra Matilde Ribeiro

 Mudar o cenário de desigualdade social e racial brasileiro é um desafio grande e que requer tempo. Apesar dos avanços realizados nos últimos anos, com relação à questão racial, o Brasil “pode e deve fazer muito mais”. A avaliação é da ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Matilde Ribeiro, que lembrou que o Brasil tem 507 anos de existência e que a escravidão só deixou de existir há 120 anos.  “Essa abolição não veio acompanhada de um projeto que fosse inclusivo para as pessoas que deixaram de ser escravas”, disse a ministra. “Então mudar esse cenário [de desigualdade racial] é muito importante, necessário, mas não é muito fácil.”A ministra afirmou que o desafio está em gerar  oportunidades para os que não tiveram inclusão ao longo da história. Segundo ela, o período de duas gestões – oito anos de governo – “é curto na história, mas é também um período que nós podemos demarcar mudanças significativas no país”. No Dia da Consciência Negra, celebrado hoje (20), a Voz do Brasil, a Agência Brasil e a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira DF) entrevistaram a ministra Matilde Ribeiro. A perguntas foram feitas por integrantes de movimentos da sociedade civil. Confira abaixo, os principais trechos dessa entrevista.Radiobrás: Qual a importância de se ter uma data para marcar a consciência negra no país?Ministra Matilde Ribeiro: Omovimento negro brasileiro, há praticamente quatro décadas, temtrabalhado, tem persistido, que esse Dia Nacional da Consciência Negraseja assimilado por todas as instituições públicas e privadas doBrasil. E isso tem acontecido ao longo desses anos todos. Hoje asescolas acabam trabalhando com os alunos a importância dessa data, asinstituições de cultura, os movimentos sociais, os governos e, emalguns lugares, é feriado nesta data em função de todaessa mobilização.  Isso é extremamente importante considerando que oBrasil é composto por praticamente 50% da sua população deafrodescendentes e, ao longo da nossa história, não houve o devidoreconhecimento da contribuição dessa grande parcela da população para ariqueza do país. Então é muito importante que toda esta movimentação emtorno desta data continue e que, cada vez mais, tenhamos uma vidainstitucional em torno da figura de Zumbi dos Palmares como um heróinacional e tendo o movimento negro como protagonista de toda essamovimentação. Radiobrás: O que o governo tem feito para reduzir as desigualdades entre brancos e negros?Ministra Matilde Ribeiro: A partir da criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a Seppir, nós temos trabalhado para que em todas as áreas da política pública brasileira nós tenhamos programas, projetos e ações que venham a reduzir as desigualdades. Na área educacional, por exemplo, o ProUni [Programa Universidade para Todos] tem provocado ao longo de três anos a condição de permanência dos jovens nas universidades particulares do país com bolsas parciais ou integrais. Isto é um grande avanço na área educacional, assim como toda a revisão do ensino considerando a Lei 10.639 que obriga o ensino da história e cultura afro-brasileira desde o ensino fundamental. Mudar a mentalidade dos professores, mudar a dinâmica da sala de aula considerando a presença dos vários grupos raciais e que a vivência entre os alunos seja cada vez menos permeada por preconceito, por discriminação, é uma forma de fomentar a mudança de comportamento e também a inclusão social. Então esses são exemplos, poderia dar exemplos na área do trabalho com o Plano de Trabalho Doméstico Cidadão, o Programa Nacional de Saúde Para a População Negra, tudo isso incide em melhoria da qualidade de vida para os negros e para a população em geral. Professor Nelson Inocêncio (coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UnB): Hoje nós temos uma situação, do ponto de vista simbólico, muito diferenciada do passado. Você hoje tem no primeiro escalão a própria ministra Matilde Ribeiro, você tem o ministro Gilberto Gil, ministro Orlando Silva, ministra Marina Silva e ainda no Supremo Tribunal Federal, o ministro Joaquim Barbosa. Isso é inédito na história do Brasil e é óbvio que a população negra percebe isso de modo muito positivo. Agora, o que seria necessário para a gente fazer a conexão entre o avanço simbólico e o avanço material? Os indicadores sociais ainda mostram que a população negra tem muito o que crescer. Como podemos fazer a conexão entre os avanços simbólicos e os avanços materiais propriamente ditos?Ministra Matilde Ribeiro: O governo brasileiro, como você próprio disse, já deu um salto importante, trazendo para dentro do primeiro escalão pessoas com competência, técnica e política, que são negras, e em outros momentos da vida do país não tiveram oportunidade. E essa mesma oportunidade, eu concordo com você, tem que ser gerada para a população como um todo. Nesse sentido, nós podemos destacar ações do governo em âmbito nacional, como a política para as comunidades de quilombos. Temos hoje mais de 3,5 mil quilombos identificados no país que passam a fazer parte do desenvolvimento das políticas públicas, como o Bolsa Família, como o programa Saúde da Família, como o programa Luz para Todos. Tudo isso tem uma interferência muito grande na construção da vida material, na qualidade de vida. Assim como também, no meio urbano, o governo tem trabalhado com o Pró-Jovem, que faz a vinculação entre a educação e o trabalho, gerando oportunidade para os jovens pobres, entre eles negros. Na área da saúde, tem o Programa Nacional de Anemia Falciforme, uma doença que precisa ser detectada desde os primeiros anos de vida. Eu tenho certeza que todas essas atividades combinadas contribuem para a mudança da qualidade de vida material, simbólica e também contribuem para a inclusão dos cidadãos e cidadãs, que não tiveram oportunidade ao longo da história. Assim como eu também tenho certeza que nós precisamos fazer muito mais, considerando que são cinco anos de atuação deste governo e que precisamos ter maiores resultados, ainda dentro desta segunda gestão, e no futuro.Ouça aqui o que disse a ministra:

Jurema Werneck (coordenadora da ONG Criola): Qual é a perspectiva que a Seppir vai defender com relação à saúde da mulher negra nas ações de saúde do Brasil inteiro. O que a Seppir entende como saúde da mulher negra e que ações pensa em desenvolver com o Ministério da Saúde, ou sem ele, em relação a esse tema? Ministra Matilde Ribeiro:  O Ministério da Saúde, tendo em vista inclusive a ação do movimento social, e junto com a Seppir, tem desenvolvido desde 2003 a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Esse é um grande avanço dentro da construção das políticas públicas de saúde e atende a população como um todo. Além disso, nós temos uma preocupação sim voltada às mulheres negras, considerando que vivem situações específicas no que diz respeito a sua vivência cotidiana, estão mais propensas a ter miomas, estão mais propensas a ter doenças derivadas da sua questão social, assim como também a vivência da maternidade acaba, muitas vezes, trazendo alguns prejuízos por falta de um atendimento adequado. Então, toda essa situação tem feito parte do atendimento humanizado e de uma visão de inclusão na saúde. Um aspecto importante a destacar é a construção do pacto pela redução da mortalidade materna. Isto é uma medida muito importante porque envolve uma atenção específica, considerando que, ainda no Brasil, muitas mulheres morrem em função de gravidez, parto, aborto, somando também a sua condição social. Então esses programas têm acontecido de maneira simultânea e nós sabemos que a sociedade civil tem um papel muito grande no monitoramento, na fiscalização e no desenvolvimento dessa ações. Oliveira Silveira (membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial): Que ritmo a senhora pretende imprimir à Seppir neste segundo mandato uma vez que, no primeiro, já se verificou que a secretaria é viável, é importante e correspondeu às expectativas do segmento negro? Que possibilidades há de o governo como um todo apostar mais na secretaria?

Ministra Matilde Ribeiro: Nesse segundo mandato, nós temos um desafio muito grande que é, além de dar continuidade às ações que já vem sendo desenvolvidas ao longo dos quatro últimos anos, reafirmar cada vez mais a importância dos ministérios, dos órgãos de governo trazerem para si a tarefa de desenvolverem as políticas de igualdade racial, destacando orçamento para essas políticas e dando maior efetividade ao Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que foi resultado da primeira Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, realizada em 2005. E também pretendemos, no ano de 2008, desenvolver a segunda Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Então ao mesmo tempo que nós temos por missão, por meio do trabalho cotidiano da secretaria, dar andamento às ações de maneira mais sistemática, buscando maiores resultados, nós temos também o compromisso de ir revendo a política, considerando ser uma área nova no governo federal e que merece ser mais e mais organizada, mais e mais efetivada. Com a igualdade racial, nós pretendemos contribuir para que todo brasileiro, toda brasileira, possa viver a sua cidadania plena, independente da sua condição racial ou étnica. É um desafio muito grande, mas em dois mandatos nós acreditamos poder avançar nesse campo, contribuindo para a geração de oportunidades para os que não tiveram inclusão ao longo da história.

Sionei Leão (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal): A Seppir é resultado de uma mentalidade vitoriosa, de uma militância do movimento social negro, sobretudo a partir dos anos 70, do século passado, como marco eu cito o Movimento Negro Unificado (MNU). Eu pergunto para senhora o que a secretaria está colaborando ou está pensando para que nós tenhamos nos próximos 10, 20 anos, políticas públicas efetivas no campo da saúde, educação, geração de emprego e renda. O que a Seppir colabora para um cenário futuro?

Ministra Matilde Ribeiro: É papel do governo, é papel do Estado, promover o bem de todos. Agora, quando nós falamos da igualdade racial, nós estamos falando de 507 anos de existência do Brasil, 120 anos apenas que a escravidão deixou de existir. E essa abolição não veio acompanhada de um projeto que fosse inclusivo para as pessoas que deixaram de ser escravas através da sua luta, não foi por dádiva de ninguém. Então, mudar esse cenário é muito importante, necessário, mas não é muito fácil. Hoje, por exemplo, as universidades estão praticando os programas de ações afirmativas e a política de cotas, a reserva de vagas, e com isso propiciando uma maior inserção dos jovens negros nas universidades. Há cerca de 40 universidades no Brasil com esses programas. Daqui a dez anos, nós teremos um grande número de negros que tiveram a possibilidade de ter a formação universitária, e já temos que começar a nos preocupar, desde já, com a sua inserção no mercado de trabalho, seu desenvolvimento profissional. Então não basta apenas entrar nas universidades. Nós temos também que nos preocupar com o que vai acontecer no campo do trabalho, na vida política, daqui a cinco ou dez anos. Nós também temos que olhar para o futuro e nos preocupar com a mudança da dinâmica da relação entre educação, trabalho, participação política, inclusão social, porque, de fato, estamos impulsionando mudanças para o futuro 

Ministro da Cultura Gilberto Gil:  Ministra Matilde, como está se sentindo à frente desta pasta, à frente desta instituição, tão prezada pelo presidente, criada por ele, para se tornar mais um corpo auxiliar nessa construção da grande questão da cultura negra no Brasil, que é uma questão fundamental para país?

Ministra Matilde Ribeiro: Nós, como ministros, temos um aprendizado muito grande, acumulando ao que a gente já fazia antes. Eu, antes de ser ministra, já vinha atuando junto aos movimentos sociais e na área social, eu sou assistente social de formação, e me sinto hoje bastante envolvida com esse trabalho provocado pela criação da Seppir, me sinto muito responsabilizada pela condição vivida pelos pobres, pelos negros, pelos homens, pelas mulheres no país e, muitas vezes, a demanda é muito maior do que a gente pode atender. Então, no percurso, no desenvolvimento da atividade, nós acabamos muitas vezes ficando apreensivos, ficando bastante mobilizados por esse pensamento que temos que fazer, que temos que ir a frente e, muitas vezes, a dinâmica da máquina pública não favorece esse desenvolvimento. O presidente Lula tem sido um apoiador muito contundente na construção da política de igualdade racial. O diálogo com as demais estruturas de governo tem avançado ao longo desses anos. Mas eu tenho a sensação de que nós podemos e devemos fazer muito mais. Esse é o sentimento que me mobiliza, sabendo que duas gestões, somando oito anos, é um período curto na história, mas é também um período que nós podemos demarcar mudanças significativas no país e eu me sinto muito feliz por isso.