Representações contra Bolsonaro poderão ser unificadas

As seis representações apresentadas à Corregedoria contra Jair Bolsonaro por quebra de decoro poderão ser unificadas.

O deputado do PP do Rio de Janeiro foi acusado de racismo após a veiculação de um quadro do programa da TV Bandeirantes CQC, em que responde a uma pergunta da cantora Preta Gil.

Questionado sobre sua reação caso algum filho dele namorasse uma pessoa negra, Bolsonaro respondeu que não iria discutir promiscuidade com ela. O parlamentar acrescentou que os filhos dele foram muito bem educados e não viveram em ambientes como o da cantora.

Os processos devem chegar à Corregedoria ainda nesta semana.

Segundo o corregedor da Câmara, Eduardo da Fonte, do PP de Pernambuco, a análise dos processos começa logo que possível.

“Desde que seja também chegada na Corregedoria oficialmente. A gente tem que pedir essas informações, que sejam periciadas pra ver se, realmente, ele está dizendo que não escutou. Vamos fazer uma perícia para que a gente faça a instrução do processo dentro do regimento porque, senão, isso pode prejudicar futuramente.”

As seis representação vão correr em segredo de justiça. Elas foram apresentadas pela Comissão de Direitos Humanos, pela seção do Rio de Janeiro da OAB, pela Procuradoria da Mulher na Câmara, pelo ouvidor da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial das Presidência da República, Carlos Alberto Júnior, e, individualmente, pelos deputados Edson Santos, do PT do Rio de Janeiro e Luiz Alberto, do PT da Bahia.

Jair Bolsonaro, que pediu sua própria convocação pelo Conselho de Ética para esclarecer tudo, garantiu não ser racista.

O deputado afirma ter entendido que a cantora havia questionado o que ele faria se seu filho tivesse um relacionamento homossexual, e não se namorasse uma mulher negra.

O presidente da Câmara, Marco Maia, afirmou em mensagem no twitter que espera as providências cabíveis de acordo com o Regimento da Casa.

Segundo ele, as palavras discriminatórias do deputado são lamentáveis no momento em que se luta pelo fim das desigualdades e intolerâncias.

Fonte: Rádio Câmara, 31 de março de 2011

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Resposta do Estadão a Carta de Repúdio

From: Jose Carlos Cafundo <JOSECARLOS.CAFUNDO@grupoestado.com.br>
Date: 2008/5/21
Subject: RES: Carta de repúdio a quadrinho publicado no caderno TV&Lazer
To: cojira@gmail.com

Esclarecemos que a resistência do cabeleireiro nada tem a ver com
cabelos crespos. Dada a evidência de que se trata de personagem com
notória aversão a higiene, não há motivo para enxergar depreciação. Ao
contrário: Cascão é tratado de forma diferenciada porque seus cabelos
são cascudos, sujos, enfim. Se há alguma mensagem na seqüência, ela
apenas endossa a importância de se cuidar da higiene.

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Mais debate em:

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/

No post

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/Blog/texto_blog.asp?id_artigo=2985

Carta de repúdio

Prezado Editor do Caderno TV&Lazer do Jornal O Estado de São Paulo,

Tirinha do Mauricio de Souza, publica no Estado de S Paulo

O caderno TV&Lazer deste domingo,18, traz, na página 24, sessão Quadrinhos, uma seqüência lamentável do artista Mauricio de Sousa. Nele, Mônica, Cebolinha e Cascão estão sentados na cadeira de um salão de beleza.

Com um rosto feliz e auxílio de tesoura e pente, o cabeleireiro corta o cabelo dos dois primeiros personagens, de cabelos lisos. Com expressão fechada e auxílio de marreta, o mesmo profissional atende o terceiro personagem: Cascão.

Ao hierarquizar e tratar de maneira diferenciada a criança de cabelo crespo, o trabalho em questão comete um ato claro de discriminação, que afeta diretamente a auto-estima de crianças negras, identificadas com o personagem justamente pelas características do cabelo.

Essa perversa depreciação tem sido combatida arduamente por amplos setores da sociedade. Constatarmos o uso dessa abordagem num espaço de tanta influência na sociedade espanta, apesar do discurso em torno do próprio personagem em questão (conhecido por não gostar de tomar banho) ser há muito tempo objeto de questionamento do movimento social negro.

A discriminação é ampliada, no entanto, em quadrinhos como o publicado no último final de semana. Fica o nosso repúdio a essa prática e a esperança de que o jornal não prossiga respaldando tais posturas, inequivocamente perniciosas. É imprescindível uma retratação pública da redação e do artista. Sob pena de ampliação de uma violência cruel, que atinge parcela vulnerável da população e incita práticas de discriminação no ambiente infanto-juvenil.

Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira-DF)
Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de São Paulo (Cojira-SP)
Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Rio de Janeiro (Cojira-RJ)
Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de Alagoas (Cojira-AL)

(atualizado no dia 23 de maio para adesão da Cojira-RJ e, no dia 25 de maio, para adesão da Cojira-AL)