Reagimos ou seremos mortas

Os primeiros meses de 2014 mostraram-se fartos eImagemm casos de violência contra a população negra.  O mantra “não somos racistas” caiu definitivamente por terra. Perdemos a falsa inocência da democracia racial. Neste 21 de março, Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, a dúvida não é se o racismo existe. O desafio é pensar como ele se perpetua e de que forma pode ser efetivamente combatido. Precisamos refletir sobre como a sociedade brasileira consegue conviver com o racismo em sua pior face: as altas taxas de mortalidade entre pessoas negras.

A morte de Cláudia da Silva Ferreira, 38 anos, é a parte mais visível e não menos revoltante da violência contra as mulheres negras no Brasil. Moradora do Rio de Janeiro, a auxiliar de serviços gerais foi assassinada durante uma ação policial e chegou a ser arrastada pelas ruas na viatura de policiais que se ofereceram para “prestar socorro à vítima”. Deixou quatro filhos e quatro sobrinhos, uma vida de luta e sonhos e milhões de mulheres negras se perguntando: quem será a próxima?
O pedido de desculpa dos agentes do Estado é insuficiente diante do quadro de genocídio sistemático da população negra no Brasil. São mortes e violências cotidianas. Envolvem desde a agressão a atendentes de cinema, manicures e cobradoras de ônibus de Brasília até a tentativa de linchamento de jovens negros acorrentados em postes e prisões preventivas de homens negros inocentes no Rio de Janeiro.

O Brasil busca tornar-se referência no cenário internacional pela aplicação de políticas de ação afirmativas, como as cotas nas universidades, programas de financiamento estudantil, transferência de renda e combate à morte da juventude negra. Essas políticas, no entanto, precisam ser ampliadas para dar conta de um racismo que estruturou nossa sociedade a partir da escravidão e, após a abolição, tratou de manter a elite branca nos espaços de poder.

As contribuições da cultura africana permanecem praticamente invisíveis no ensino sobre a formação do país. Até o momento, os governos federal e distrital não foram capazes de fazer o mínimo: instituir o 20 de novembro como feriado de luta e celebração da história afro-brasileira. Enquanto isso, religiosos de matriz africana seguem sob ameaça. Templos são destruídos e queimados por agentes do Estado e grupos racistas.

Continuamos sub-representados nos meios de comunicação. Violentados em programas policiais e de humor. Destino de “elemento cor padrão” é silêncio, tortura e morte? Policial que atira em negro resistente tem permissão para matar? Fazendeiro e força armada que ocupa terra quilombola recebem prêmio e comenda? Não. Basta!

Reunidos com a presidente Dilma Rousseff na semana passada, representantes do movimento negro deram recado certeiro. Uma campanha contra o racismo no futebol, tendo em vista a realização da Copa do Mundo, é muito bem-vinda. No entanto, o combate à violência policial de Estado contra a população negra deve ser prioridade máxima. É preciso fortalecer institucionalmente o Programa Juventude Viva. O Legislativo contribuir, instituindo o fim dos autos de resistência, carta branca a policiais para matar jovens negros que supostamente resistem à prisão.

A exposição midiática, pela polícia, de jovens negros suspeitos deve cessar imediatamente. Corpos negros dilacerados precisam sair das capas dos jornais. A mídia alternativa e negra deve ter acesso aos recursos públicos de publicidade, para garantir outras imagens de nossa existência e espaço para reivindicações políticas.
A regularização de terras quilombolas precisa ser priorizada pelo governo como forma de garantir a sobrevivência e resistência das raízes da população negra. Interesses militares e agrícolas devem ser enfrentados, bem como tentativas de transferência para o Legislativo da autoridade para titular terras indígenas e quilombolas. Nossa história e nossos corpos não estão à venda.

Se os séculos de tráfico, escravidão e violência não podem ser compensados com dinheiro vivo, que sejam reparados com a garantia do acesso à terra, espaço dedicado não apenas a práticas de subsistência, como também de construção cultural afrocentrada de uma comunidade.

As cotas raciais nas universidades devem ser mantidas e ampliadas para os concursos públicos, editais e orçamentos. O governo deve se empenhar na regulamentação da PEC das Domésticas, como forma de garantir todos os direitos de boa parcela das trabalhadoras negras deste país, mulheres violadas de forma permanente e que devem ter acesso a uma política de saúde mais efetiva. Uma política de saúde da população negra há tempos é prometida e muito pouco foi efetivada. Centros de apoio e assistência psicossocial precisam ser criados para que o racismo possa ser tratado na sua dimensão cruel de adoecimento.

Reagimos ou seremos mortas. Esse é o lema de uma campanha liderada por coletivos negros de Salvador, que já chegou a ser considerada por governos incitação à violência. De que violência estamos falando? Daquela que nos mata todos os dias um pouco ou de uma só vez? Enquanto a sociedade, o governo e o Estado não cumprem integralmente seus deveres, cabe à população negra se organizar para reagir, reivindicar direitos e celebrar a trajetória de quem tombou no campo de batalha. Carolinas, Lélias, Beatrices e Cláudias. Elas vivem!

» JULIANA CÉZAR NUNES
Jornalista, mestre em comunicação social pela Universidade de Brasília, integra a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-DF) e o coletivo Pretas Candangas

» ISMÁLIA AFONSO
Jornalista e mestranda em gênero, sociedade e políticas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso – Argentina)

* Artigo publicado no Correio Braziliense (21/03/2014) com o título Racismo é fato no Brasil.

** Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial: a data foi instituída, há 48 anos, pela Organização das Nações Unidas (ONU),  em homenagem às vítimas da chacina de Shaperville, na África do Sul.

Para destruir a herança da escravidão: políticas de promoção da igualdade racial no trabalho

Por Aida Feitosa Jornalista integrante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira-DF)

Nesse 13 de maio de 2013, que é aniversário dos 125 anos da abolição da escravidão e Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo, é importante discutir políticas púlicas que efetivem a igualdade que não foi conquistada com o fim do cativeiro. Um dos instrumentos existentes é o Estatuto da Igualdade Racial que em seu artigo 39 determina : “O poder público promoverá ações que assegurem a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para a população negra, inclusive mediante a implementação de medidas visando à promoção da igualdade nas contratações do setor público e o incentivo à adoção de medidas similares nas empresas e organizações privadas”.

Há dez dias, durante a Conferência Internacional em comemoração ao Dia Mundial pela Liberdade de Imprensa, promovida pela Unesco, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa destacou a pouca atuação de profissionais negros na mídia brasileira.  Ao afirmar que a presença de pessoas negras  é muito rara, seja em postos de trabalho na imprensa e na teledramaturgia, seja em cargos de chefia, apesar de serem metade da população, o primeiro presidente negro do STF , coloca em evidência um dos principais problemas do Brasil: o racismo no mercado de trabalho.

Basta um olhar atento para as redações, as assessorias de imprensa ou para as bancadas dos telejornais para comprovar a veracidade de tal declaração. Tomemos o caso do telejornalismo. Quantas apresentadoras negras vemos na televisão, quantos comentaristas negros? Em recente pesquisa do IBGE (2011) sobre o impacto de características étnico-raciais na vida social, os entrevistados informaram que a cor ou raça influenciam, em primeiro lugar, nas relaçõesde trabalho (71%) , seguido de justiça/polícia (68,3%) e convívio social (65%).

Outras pesquisas realizadas pelos Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Laboratório de Análises Econômicas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser) e Organização Internacional do Trabalho (OIT) fazem parte da farta literatura que aponta desigualdades de condições da população negra brasileira no ambiente profissional.

A população negra, considerando-se a desigualdade de gênero, apresenta as mais elevadas taxas de desemprego e os menores rendimentos ainda que tenham o mesmo nível de escolaridade, especialmente à medida que se avança nos estratos superiores. O rendimento médio dos homens negros é 78,6% do total do rendimento dos homens brancos. E a taxa de desemprego das mulheres negras é de 12,6 %, comparada a de 9,3% mulheres brancas.

Passados dez anos desde que as primeiras instituições de ensino superior adotaram ações afirmativas raciais para seleção de estudantes, a utilização desse mecanismo para o ingresso no serviço público ou privado pouco avançou. Segundo dados do Ipea, quatro estados e 33 municípios adotaram sistema de reserva de vagas para negros em concurso público. O Paraná é o estado pioneiro, com lei criada em 2003; seguido do Mato Grosso do Sul em 2008 e dos estados Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul em 2011. Além disso, apenas algumas medidas pontuais ou transitórias por parte do governo federal e da iniciativa privada foram tomadas.

A constitucionalidade das cotas tanto no ensino superior (Universidade de Brasília) quanto no serviço público (governo do Paraná) foi alvo de questionamento, e, em ambos os caso foi confirmada a perfeita adequação da medida ao ordenamento jurídico brasileiro. Como demonstra a Ministra Camem Lúcia: “Verifica-se, na Constituição de1988, que os verbos utilizados na expressão normativa – construir, erradicar, reduzir, promover – são verbos de ação, designam um comportamento ativo. (…) Somente a ação afirmativa, vale dizer, a atuação transformadora, igualadora pelo e segundo o Direito, possibilita a verdade do princípio da igualdade que a Constituição Federal assegura como direito fundamental de todos”.

Diante deste cenário, torna-se imprescindível e urgente que o Estado brasileiro estabeleça cotas raciais no funcionalismo público federal, crie incentivos para as empresas contratarem mais pessoas negras e estabeleça medidas para impedir e punir a discriminação racial no trabalho. A construção de uma sociedade democrática e participativa passa, necessariamente, pela ampliação da atuação qualificada da população negra no mundo do trabalho. Reconhecer o quadro de desigualdades e adotar medidas desiguais para promover a igualdade é o primeiro e decisivo passo para a transformação social que esse País tanto precisa. bc_blogueiras-negras Esse post faz parte da Blogagem Coletiva Luiza Mahin organizada pelas Blogueiras Negras nos 125 anos de Abolição.

“O Nascimento e a Trindade”

Por Sionei Ricardo Leão*

Foto divulgação

O Prêmio Abdias Nascimento realizado no início do mês de novembro, deste ano (2011), pela Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Rio de Janeiro (Cojira-RJ), simbolizou a união de três conceitos: igualdade racial, política sindical e jornalismo.

Pelas mãos dos membros da Cojira-RJ essa tríade se traduziu num resultado interessante e alvissareiro. Importante salientar que a depender das mãos que se propõem a costurar essas idéias, pode emergir um ogro um uma beldade. 

A sabedoria popular receita que a diferença entre o remédio e o veneno se dá pela dosagem escolhida pelo químico.

Na minha percepção, o que se viu no dia 7 de novembro foi a o resultado de uma empreitada audaciosa, inovadora e bem executada.

A Cojira-RJ com a atividade postula ingresso no clube das entidades que ousam avançar do nível da denúncia e o da reprodução de idéias e comportamentos ao seleto espaço dos que realizam.

Ou melhor, daqueles coletivos que têm auto-estima, coragem e foco suficientes para atravessar essa distância imensa: cruzar a via para andar na calçada dos que assumem riscos a fim de oferecer à sociedade projetos estruturantes. 

Conhecemos as reticências e avaliações negativas que ativistas e organizações de igualdade racial têm feito à grande imprensa brasileira. Isso tem ocorrido muito em razão de coberturas desfavoráveis a duas bandeiras estratégicas para essa militância, ou seja, a política de reserva de vagas para afrodescendentes em instituições de ensino superior (as cotas) e a questão fundiária do segmento quilombola.

O espaço da política sindical dos jornalistas também vinha sendo, em alguma medida, desdenhado por parte dessa mesma militância de igualdade racial. Em alguma medida por se entender que essa vertente, historicamente, foi terreno imberbe e lento para assimilar as demandas da luta anti-racismo.

A abertura de centrais sindicais e suas entidades filiadas, ao tema igualdade racial, convenhamos, é recente. 

Quando se trata do ambiente das redações a desconfiança não é menor. São muitos os editores refratários a pautas que tenham a ver com essa temática. 

É também comum o fenômeno de profissionais de imprensa afrodescendentes que evitam se envolver com essa causa por temerem que a imagem de militante os fragilize na disputa árida para se manter e prosperar na profissão. 

Há também no ambiente sindical do jornalismo uma prática no mínimo surpreendente. Por vezes dos deparamos com discursos e análises depreciativas a profissionais que atuam na grande imprensa, comentários motivados por visões ideológicas.  

Ocorre que ao menos, formalmente, os sindicatos foram criados para defender e não atacar jornalistas, a não ser que incorram em faltas éticas. 

A Cojira-RJ tinha essas e outras variáveis pelo caminho, ao decidir por realizar o Prêmio Abdias Nascimento. 

Para quem teve a oportunidade de assistir a premiação ficou a imagem de que a Cojira-RJ, habilmente, conseguiu dialogar com bom desempenho ante a tantos desafios.

O bom número de inscrições demonstrou que a ideia foi oportuna e tem vocação pela continuidade. A presença de tantos militantes “históricos”  foi outra vertente dessa adesão. 

A Cojira-RJ, igualmente, demonstrou maturidade ao convidar “estrelas” da grande imprensa como a jornalista Glória Maria e a colunista Flávia Oliveira, para ocuparem o palco da premiação.

Tanto Glória quanto Flávia são afrodescendentes que ocupam espaços importantes no jornalismo televisivo, mas que não são militantes “orgânicas” do Movimento Social Negro. A Cojra-RJ não cedeu a apelos sectários. 

Participar desse momento foi um privilégio e um alento por ver no Prêmio Abdias Nascimento o despertar de uma ação política que rompe barreiras e constrói novas etapas da luta pela igualdade racial.

Coincidem as três idéias do início do texto com a militância de três pessoas que são ícones da Cojira-RJ (sem qualquer desdém à importância de outros membros): Angélica Basthi, Miro Nunes e Sandra Martins. 

 *Sionei Ricardo Leão viajou, no dia 7 de novembro, à cidade do Rio de Janeiro, a convite da Cojira-RJ, para assistir a solenidade de entrega do Prêmio Abdias Nascimento.

4ª edição do Latinidades começa dia 23

Festival se consolida como importante espaço de discussão dos direitos das mulheres e reúne especialistas para discutir a situação da mulher negra no mercado de trabalho.

Além de debates, seminários, programação cultural e desfile de moda, o evento será palco do lançamento da Campanha Nacional Pela Eliminação da Violência Contra a Mulher com a participação da cantora Margareth Menezez, que fará um grande show de encerramento, celebrando o Ano Internacional dos Afrodescendentes.

De 23 a 25 de novembro de 2011 a produtora social Griô Produções realiza, no Expobrasília Parque da Cidade, em Brasília, a 4ª edição do Latinidades – Festival da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha. O evento integra a programação da Conferência de Desenvolvimento – CODE/IPEA. No dia 25/11, o encerramento acontecerá, a partir das 19h, com um desfile em homenagem as orixás femininas, Rádio Afrolatina e show da cantora baiana Margareth Menezes. Para saber mais acesse o site http://www.afrolatinas.com.br/.  Todas as atividades são gratuitas.

A edição 2011 tem como tema “Mulheres Negras no Mercado de Trabalho”, com as mesas  “Desigualdades de gênero e raça no mercado de trabalho”, “Trabalho Doméstico”, “ Pesquisadoras Negras”, “Previdência Social”, “Linhas de crédito e incentivos aos afro- negócios” e “Trabalhadoras do campo”. As inscrições podem ser feitas no site http://www.ipea.gov.br/code

 A homenageada será Dona Raquel Trindade, artista plástica, dançarina, coreógrafa, poetisa e mestra griô. O projeto foi pensado como forma de dar visibilidade ao histórico de lutas e resistência da mulher negra na América Latina e trazer temas relacionados ao machismo, racismo, sexismo e superação de desigualdades, com recorte de gênero e raça.

 A homenageada

Raquel Trindade Souza é a filha mais velha do grande poeta negro Solano Trindade. Pintora, dançarina, coreógrafa, grande conhecedora da história e cultura afro-brasileira, é considerada uma das maiores memórias vivas no Brasil. Fundadora do Teatro Popular Solano Trindade e da Nação Kambinda de Maracatu, sempre ministrou cursos e oficinas livres por todo o país, principalmente no Embu das Artes, São Paulo, onde segue enraizada.

 SERVIÇO:
4ª edição do Latinidades – Festival da Mulher Afro Latino Americana e Caribenh
Realização: Griô Produções e Pretas Candanga
Patrocínio: Petrobrás
 Apoio: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, Secretaria de Cultura do DF, Central Única dos Trabalhadores – CUT, Onu Mulheres, Sindicato dos Professores do DF – Sinpro, Associação dos Servidores do Ministério Publico Federal – ASMPF, Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades – CERT e Triskelion Produções.
 Data: De 23 a 25 de novembro de 2011
 Local: Expobrasília, no Parque da Cidade (Parque da Cidade Sarah Kubitschek Pavilhão de Exposições Estacionamento 1)
*Inscrições gratuitas no http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_jforms&view=form&id=15

 Confira a programação completa: http://www.afrolatinas.com.br/

*Para participar dos seminários é imprescindível a inscrição no site da 2ª CODE/IPEA
Contatos: (Coordenação) – 61 7814-2907/3046-0050 (Imprensa) – 61 9815-2087

Redes sociais:
Página no Facebook:  Griô Produções
Twitter: @Afrolatinidades
Teaser no Youtube:  http://www.youtube.com/user/GrioProducoes#p/a/u/2/ELACy7yFQig 

 SHOW de encerramento:  MARGARETH MENEZEZ
Data: 25 de novembro de 2011
Horário: A partir das 19h
Ingressos: Entrada gratuita
Classificação Indicativa: 15 anos

PROGRAMAÇÃO 2011 –  23 a 25 de novembro

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Cojira-DF divulga Caderno de Pautas para fomentar cobertura sobre igualdade racial

Em razão das comemorações do mês da consciência negra, celebrado em novembro, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira-DF), decidiu por elaborar e divulgar um produto, por nós denominado Caderno de Pautas e Fontes “16 Ideias”, com o intuito de fomentar, subsidiar e instigar coberturas jornalísticas que digam respeito ao tema igualdade racial. 

O caderno foi enviado para editores e jornalistas do Distrito Federal, na última sexta-feira (11/11), um dia após a sanção pela presidente Dilma Roussef da Lei 12.519, que institui, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, a ser comemorado, anualmente, no dia 20 de novembro, data do falecimento do líder negro Zumbi dos Palmares. 

Clique aqui para acessar o Caderno de Pautas e Fontes “16 Ideias”.

Primeira Jornada de Cinema Negro de Brasília

Entre 16 e 20 de novembro, acontece a Primeira Jornada de Cinema Negro de Brasília. O evento promovido pela Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal (GDF), acontece no Cine Brasília e conta com exibições também em Varjão, Ceilândia, Estrutural e São Sebastião, cidades do entorno do Plano Piloto. 

Clique na imagem para ver a programação.

UNB promove Seminário “100 anos de McLuhan” em novembro

O Programa de Pós-graduação em Comunicação, da Faculdade de Comunicação, da Universidade de Brasília, realizará nos dias 10 e 11 de novembro de 2011 o seminário “100 anos de McLuhan”. O objetivo do evento é reunir pesquisadores para discutir o pensamento deste tão destacado pesquisador. Serão dois dias de conferências e debates sobre a obra de um dos mais influentes intelectuais do século.

O prof. Dr. Jesús Octavio Elizondo Martínez, da Universidad Autónoma Metropolitana Cuajimalpa, DF/México, e o prof. Dr. Vinícius Pereira, da Faculdade de Comunicação Social da UERJ, abrem o primeiro dia de conferências pela manhã. No segundo dia, 11 de novembro, o prof. Dr. Aluízio Trinta, da Universidade Federal de Juiz de Fora, e a profa. Dra. Irene Machado, da Escola de Comunicação e Artes da USP, iniciam os trabalhos. O evento terá pela parte da tarde mesas-redondas com participações de professores da área de Comunicação, Artes e Educação da UnB e de outras instituições de ensino.

A inscrição é gratuita e deve ser feita pelo site http://www.100anosdemcluhan.com.br
Realização: Programa de Pós-graduação em Comunicação, Faculdade de Comunicação, UnB

Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes
Decanto de Pesquisa e Pós-graduação, Universidade de Brasília – DPP/UnB
Universidade Católica de Brasília – UCB

Fonte: http://www.100anosdemcluhan.com.br

Cojira-DF se manifesta sobre assassinato de estudante africano

Nota sobre o assassinato do estudante africano Toni Bernardo da Silva

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira) do Distrito Federal se manifesta com pesar e indignação diante da notícia da morte do estudante africano Toni Bernardo da Silva, natural de Guiné-Bissau, ocorrida em 22 de setembro, quando foi espancado em Cuiabá, capital de Mato Grosso. Fato que esperamos seja investigado com rigor e celeridade.  

Toni veio ao Brasil na condição de bolsista de programa de intercâmbio oferecido pelo Governo brasileiro a jovens de vários países africanos. Era estudante de Economia na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

De acordo com informações publicadas pela imprensa, Toni foi assassinado depois de uma briga numa pizzaria da cidade. Pessoa tida pelos amigos e colegas como pacífica e amável, o estudante não tinha histórico de violência e sequer conseguiu reagir ao espancamento.

A agressão, conforme testemunhas, teria sido motivada por intolerância racial, a exemplo de outros episódios, como o ocorrido aqui na Universidade de Brasília (UnB), onde apartamentos de estudantes africanos foram incendiados.

Toni é membro de uma comunidade de cerca de 20 estudantes africanos em Mato Grosso, a maioria de Guiné-Bissau, seu país de origem. 

A Cojira-DF reforça as denúncias de mais este ato covarde de intolerância racial em nosso país e solicita às autoridades de Mato Grosso e aos organismos federais rigor na apuração e punição de mais este crime hediondo.

Serginho fala dos desafios à frente do CNPIR

Sérgio Pedro da Silva, o popular Serginho, membro das coordenações do Distrito Federal e nacional da Unegro, é um unegrino de muita luta que acaba de assumir a Secretaria-Executiva do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), órgão consultivo da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).

Nesta entrevista ele fala sobre a sua nova tarefa institucional,dos desafios de dirigir o CNPIR, das ações do Conselho, das atividades da Unegro e do movimento negro em geral.

Natural de Recife (PE), onde começou a militância no movimento estudantil, Serginho é jornalista e designer gráfico. Chegou a Brasília no ano de 1994. Aqui inensificou sua militância no movimento sindical e na Unegro, sendo eleito presidente da entidade no Distrito Federal em 2007. Dois anos depois foi eleito secretario geral da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras– Seção Distrito Federal (CTB/DF).

Serginho foi assessor político da Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal e Região do Entorno – SINTECT/DF de 1999 a início de 2011. É membro da Coordenação Nacional da UNEGRO desde 2007. Participou da fundação do Fórum Permanente Educação e Diversidade Étnico-racial do Distrito Federal e foi coordenador nacional do Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil, representando o Distrito Federal – 2007-2008.

Membro fundador da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira-DF), Serginho também foi articulador do Fórum de Entidades Negras do Distrito Federal, membro da Comissão Organizadora do 1º Encontro Nacional de Combate ao Racismo da CTB, membro da Comissão Organizadora da 2° Conferência Distrital de Promoção da Igualdade Racial do Distrito Federal e membro do Fórum Permanente Educação e Diversidade Étnico-racial do Distrito Federal. Atualmente, estuda Licenciatura da Computação pelo Centro Universitário Claretiano.

 Qual é a função do secretário-executivo do CNPIR?
Serginho –
Bom, tem como finalidade prover as condições para o cumprimento das suas competências do CNPIR, por meio da promoção do necessário apoio técnico, logístico e administrativo.

 Quais desafios você tem à frente dessa nova trincheira de luta?
Serginho –
O desafio é conciliar a função técnica, administrativa, com a ação política, pois lidamos com a sociedade civil e o poder público. Mas é a sociedade organizada que traz grandes contribuições para a formulação de políticas públicas, são os segmentos organizados que estão na ponta onde toda a ação governamental é aplicada, além de serem fiscalizadores dessas ações.

Quando foi criado o CNPIR? E nesse período quais foram os seus principais encaminhamentos?
Serginho –
O Conselho foi criado em 23 de maio de 2003 pela Lei 10.678, no inicio do governo Lula. Vejo que as duas conferências nacionais foram os grandes momentos do CNPIR, pois trouxe toda a sociedade para o debate da igualdade racial, governo e sociedade.

Especificamente, quais os encaminhamentos o CNPIR faz?
Serginho –
O Conselho é consultivo, porém, tem por finalidade propor, em âmbito nacional, políticas de promoção da igualdade racial, com ênfase na população negra e outros seguimentos étnicos da população brasileira, com o objetivo de combater o racismo, o preconceito e a discriminação racial e de reduzir as desigualdades raciais, inclusive no aspecto econômico e financeiro, social, político e cultural, ampliando o processo de controle social sobre as referidas políticas.

Qual a importância para a Unegro ter um de seus coordenadores nessa função?
Serginho –
A importância é a nossa contribuição para o avanço das políticas de promoção da igualdade racial e principalmente o de colaborar com o governo Dilma. Fizemos isso nos oito anos de Lula, cedendo bons quadros para desenvolver o trabalho junto com a equipe da SEPPIR. Cito o Benedito Cintra e o Alexandro Reis. Nesse momento, eu e o Carlos Alberto, que é o Ouvidor, estamos cumprindo essa tarefa.

 O que o cidadão comum pode fazer para ter demanadas coletivas e individuais encaminhadas pelo CNPIR?
Serginho –
Olha, coletivamente já é a natureza do Conselho, por ser um colegiado, onde temos representantes de vários segmentos da sociedade, que vai da religião ao hip hop, dos árabes aos ciganos, portanto, temos uma diversidade e uma coletividade representativa. Na questão individual, acredito que toda ação está diretamente influindo na vida da população, por exemplo é a garantia de assistência a saúde da população negra.

Comente um pouco sobre o atual estágio de organização da Unegro no DF e nacionalmente.
Serginho –
A Unegro no DF está no momento bom, cada vez mais vem se consolidando como uma força do movimento negro, sendo reconhecida pelas demais forças. Agora estamos na fase de formação de novos quadros e com o Congresso Nacional da UNEGRO a ser realizado aqui em Brasília no mês de novembro, fortaleceremos ainda mais a nossa entidade. Sobre a entidade nacionalmente, o 3º Congresso no Rio de Janeiro em 2007 demonstrou que estamos no caminho certo. Hoje posso afirmar que somos a maior entidade no Brasil, são vinte e cinco Estados. Qual a entidade nesse nível?

Quais os desafios da Unegro no DF?
Serginho –
Operar o congresso nacional e sair da informalidade. Temos bons quadros e esse número vem crescendo.

Quais os desafios para o movimento negro em geral?
Serginho –
Estamos na primeira etapa do combate ao racismo, mas vejo que estamos construindo as bases para o futuro e isso passa pela educação, trabalho, saúde e desenvolvimento. Agora, o Brasil já está no centro das decisões, precisamos nós ocupar nosso lugar.

Fonte: Unegro http://unegrodf.blogspot.com/2011/04/entrevista.html
Notícia publicada originalmente em 27/04/2011

Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão será lançada em abril

Membros da Cojira-DF, representando a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Étnico-racial da Federação Nacional dos Jornalistas (Conajira), acompanham a Frente.

A Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e Direito à Comunicação com Participação Popular, que visa promover, acompanhar e defender iniciativas que ampliem o direito à liberdade de expressão e à comunicação, será lançada no próximo dia 19 de abril, 14h, na Câmara dos Deputados (Auditório Nereu Ramos), em Brasília.

Para os jornalistas da Cojira-DF as discussões relacionadas a produção de conteúdo equitativo e, por consequência, sobre representação e acesso aos meios de comunicação, por parte dos grupos historicamente discriminados, devem ser pautas constantes na agenda da Frente. Para isso, além de mobilizar outras organizações do movimento social negro, a Cojira-DF também estudará os projetos legislativos que se conectam ao tema.

Juliana Nunes, Rachel Quintiliano e Sérgio Pedro, membros da Cojira DF, acompanharão as ações da Frente Parlamentar.

 

Saiba mais: Frente parlamentar pela liberdade de expressão deve ser lançada em abril