Resposta do Estadão a Carta de Repúdio

From: Jose Carlos Cafundo <JOSECARLOS.CAFUNDO@grupoestado.com.br>
Date: 2008/5/21
Subject: RES: Carta de repúdio a quadrinho publicado no caderno TV&Lazer
To: cojira@gmail.com

Esclarecemos que a resistência do cabeleireiro nada tem a ver com
cabelos crespos. Dada a evidência de que se trata de personagem com
notória aversão a higiene, não há motivo para enxergar depreciação. Ao
contrário: Cascão é tratado de forma diferenciada porque seus cabelos
são cascudos, sujos, enfim. Se há alguma mensagem na seqüência, ela
apenas endossa a importância de se cuidar da higiene.

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Carta de repúdio

Prezado Editor do Caderno TV&Lazer do Jornal O Estado de São Paulo,

Tirinha do Mauricio de Souza, publica no Estado de S Paulo

O caderno TV&Lazer deste domingo,18, traz, na página 24, sessão Quadrinhos, uma seqüência lamentável do artista Mauricio de Sousa. Nele, Mônica, Cebolinha e Cascão estão sentados na cadeira de um salão de beleza.

Com um rosto feliz e auxílio de tesoura e pente, o cabeleireiro corta o cabelo dos dois primeiros personagens, de cabelos lisos. Com expressão fechada e auxílio de marreta, o mesmo profissional atende o terceiro personagem: Cascão.

Ao hierarquizar e tratar de maneira diferenciada a criança de cabelo crespo, o trabalho em questão comete um ato claro de discriminação, que afeta diretamente a auto-estima de crianças negras, identificadas com o personagem justamente pelas características do cabelo.

Essa perversa depreciação tem sido combatida arduamente por amplos setores da sociedade. Constatarmos o uso dessa abordagem num espaço de tanta influência na sociedade espanta, apesar do discurso em torno do próprio personagem em questão (conhecido por não gostar de tomar banho) ser há muito tempo objeto de questionamento do movimento social negro.

A discriminação é ampliada, no entanto, em quadrinhos como o publicado no último final de semana. Fica o nosso repúdio a essa prática e a esperança de que o jornal não prossiga respaldando tais posturas, inequivocamente perniciosas. É imprescindível uma retratação pública da redação e do artista. Sob pena de ampliação de uma violência cruel, que atinge parcela vulnerável da população e incita práticas de discriminação no ambiente infanto-juvenil.

Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira-DF)
Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de São Paulo (Cojira-SP)
Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Rio de Janeiro (Cojira-RJ)
Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de Alagoas (Cojira-AL)

(atualizado no dia 23 de maio para adesão da Cojira-RJ e, no dia 25 de maio, para adesão da Cojira-AL)