Documentário sobre quilombolas de Goiás abre fórum de gestores por igualdade racial

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A diretora do filme Por um fio, Iris Cary, e a professora Nailde Rodrigues, durante a abertura do 7º Encontro Nacional do Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial. O filme conta a história da comunidade quilombola de Pombal (GO), onde Nailde nasceu e hoje reivindica políticas públicas Foto: José Cruz/ABr

(26/03/2008)

Juliana Cézar Nunes*
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O documentário Por um fio, sobre a comunidade remanescente de quilombo de Pombal (GO), abriu na noite de ontem (25) o 7º Encontro Nacional do Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial (Fipir).

Dirigido pela jornalista Iris Cary, do Núcleo de Documentário de Projetos Especiais da TV NBR, o filme traz um alerta sobre as dificuldades enfrentadas pelos jovens quilombolas. Sem acesso a escola e trabalho, eles vão para a cidade em busca de oportunidades. A migração coloca em risco a existência das comunidades remanescentes de quilombos.

“Foram nove meses de trabalho. Espero que sirva como um alerta para as pessoas se questionarem sobre a continuidade de uma cultura e sobre como as políticas públicas podem interferir na realidade dessas pessoas”, diz Iris Cary, que faz parte da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira) do Distrito Federal.

A professora Nailde Rodrigues Borges Silva, 38 anos, participou da abertura do encontro como representante dos quilombolas de Pombal. Empossada recentemente na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial de Santa Rita do Novo Destino (GO), ela diz que as três escolas de Pombal estão fechadas desde 2001.

“Estamos desde 1998 na luta para criar a associação e ajudar a comunidade a se desenvolver. As nossas principais reivindicações são na área de agricultura familiar, educação, capacitação para que os jovens possam se formar, trabalhar e morar na própria comunidade”, conta Nailde.

”Temos uma fábrica de farinha para gerar renda, mas não temos estrutura. Então, nós já estamos pensando num projeto de desenvolvimento sustentável para as mulheres.”

Para o ministro da Secretaria de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, o documentário Por um fio mostra que a população brasileira precisa se familiarizar com outras realidades. “Os jovens saem das comunidades para viver o drama da exclusão na cidade. O nosso desafio agora é estimulá-los para que eles busquem ali suas próprias oportunidades.”

A comunidade quilombola de Pombal está localizada no município de Santa Rita do Novo Destino (GO) e reúne cerca de 100 famílias. Reconhecida em 2005 pela Fundação Palmares, a comunidade ainda não tem registro e titulação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), apesar de algumas famílias já terem obtido título particular de propriedade de terra.

* Colaborou Luciana Melo

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Cojira-DF e Radiobrás produzem rádio-documentário sobre igualdade racial na Voz do Brasil

Resultado de parceria entre a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira-DF) e a Radiobras, a Voz do Brasil veicula a partir desta segunda-feira, dia 19 de novembro, um rádio-documentário especial, em cinco edições voltado para a temática da igualdade racial no Brasil, entre as 19 e as 19h25 (hora de Brasília).


A iniciativa partiu da Cojira que em outubro, deste ano, apresentou o projeto à direção da Voz do Brasil, a fim de inserir o especial no bojo das comemorações do Dia da Consciência Negra, na semana de 20 de novembro. A Radiobras definiu uma equipe para produzir e editar a série, a partir da pauta e das fontes sugeridas pela comissão e reservou cinco minutos diários para as reportagens – a Voz do Brasil, do Poder Executivo, conta com o tempo de 25 minutos a cada dia da semana.


Desde as primeiras conversas entre os profissionais da Cojira e da Radiobrás esteve no centro das preocupações abordar o tema sobre a ótica da cidadania e das reivindicações do Movimento Social Negro, sobretudo, no que toca a evitar-se reproduzir vícios de linguagem e de conteúdo em relação ao assunto anti-racismo.


Dentro desse escopo, foram entrevistadas, pela jornalista Marcela Rebelo, da Radiobrás, personalidades do governo federal, de universidades, do Movimento Social Negro e da sociedade com envolvimento no assunto.


Uma das fontes foi o poeta gaúcho, Oliveira Silveira, que na condição de ativista do Grupo Palmares, nos anos setenta, do século passado, propôs fazer-se de 20 de novembro uma efeméride nacional, em homenagem a Zumbi dos Palmares, assassinado nessa data, em 1695. O quilombo do qual ele foi o último líder havia sofrido o ataque cabal em fevereiro de 1694, pela milícia comandada por Domingos Jorge Velho. Nas últimas décadas, o Movimento Social Negro foi vitorioso em conseguir difundir a idéia e a mística de Palmares como símbolo de resistência do povo negro no Brasil.


Em 1995, o governo federal incluiu Zumbi dos Palmares no panteão dos heróis da pátria. Ano a ano, o 20 de novembro vem se consagrando no universo popular como data nacional. Em 2006, foram contabilizados vinte mil eventos em várias regiões do Brasil. Na mesma medida, espraiam-se as políticas públicas de igualdade racial, a exemplo das cotas em universidades públicas. Atualmente, são cerca de quarenta universidades brasileiras que adotaram ou estão avaliando a medida.


Por força de lei, a Voz do Brasil é veiculada por todas as rádios do país. Uma opção para ouvir o   especial é sintonizar o dial 91,6 Khz, da Rádio Nacional, que é da Radiobras.

A programação será a seguinte (sujeita a alterações):

  • 19 de novembro – segunda-feira – Tema discriminação racial. Entrevista com especialistas sobre o tema igualdade racial e considerações sobre a Lei 7.716 (Caó) 
  • 20 de novembro – terça-feira – Entrevista com a ministra Matilde Ribeiro, da Seppir
  • 21 de novembro – quarta-feira – Tema Educação
  • 22 de novembro – quinta-feira – Tema Saúde
  • 23 de novembro – sexta-feira – Tema Cultura