Igualdade racial no mercado de trabalho

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Rosane Borges é a nova coordenadora do CNIRC

Pesquisadora em relações raciais defende o patrimônio e a valorização da cultura afro-brasileiro
Foto: Universidade Estadual de Londrina/NEAA
Com ampla experiência em pesquisas nas áreas de comunicação e relações raciais, Rosane da Silva Borges é a nova coordenadora do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra (CNIRC), da Fundação Cultural Palmares. Nomeada hoje, (15/05), ela  vai contribuir para o fomento e a execução de atividades de estudo, pesquisa e referência da cultura afro-brasileira. Rosane  é doutora em Comunicação e já atuou como coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
A coordenadora defende cultura como um conjunto de ações e reflexões diretamente associadas ao legado africano e afro-brasileiro. De acordo com Rosane, esses são importantes elementos para a construção da história e memória do país. “Se considerarmos que o negro não contribuiu com a formação do país, mas o construiu, teremos aí um passo decisivo para formular um outro projeto de nação em que todos, negros, brancos e indígenas, possam se reconhecer na justa medida de sua humanidade”, explica.
Para Borges, colocar a cultura negra no centro do debate representa, antes de tudo, oferecer ao Brasil uma oportunidade para que ele se reconheça como um país profundamente enraizado nas práticas negro-africanas.  “Acredito que aquilo que chamamos de cultura negra é o que faz o Brasil, Brasil”, afirma.
 
Ela defende ainda o trabalho em parceria entre políticas culturais e ações afirmativas, como recurso fundamental para a transposição do racismo e acesso à geração de renda, bens sociais, materiais e econômicos. “É necessária a construção de novos parâmetros educativos que permitam o alcance efetivo e a consolidação da equidade, o que ainda não temos plenamente no Brasil”.
 
Planos futuros – Como gestora da Fundação palmares, Rosane propõe a sistematização de estudos e pesquisas referentes ao patrimônio material e imaterial do país. As manifestações artísticas, o incentivo à produção teórica e a difusão dos saberes afro-diaspóricos, possibilitam dimensionar a multiplicidade da cultura negra na vida nacional e a articulação das práticas culturais negroafricanas.
“Acredito que o CNIRC é uma instância fundamental para o combate ao racismo e a promoção da igualdade racial, mostra-se como um organismo estratégico para a construção e difusão de novos referenciais”, disse. A dinamização plural da cultura, o empreendimento, nas fronteiras do serviço público, de projetos destinados a mostrar a fisionomia do país, põem em relevo os seus múltiplos contornos”, completou.
Ações governamentais – De acordo com Rosane, o desenvolvimento de iniciativas sociais e governamentais atuam como instrumentos de fomento e valorização da cultura negra que tem por objetivo promover a visibilidade e a importância dos povos historicamente discriminados. “O reconhecimento de que a cultura negra é ubíqua e abrangente, devolveria a essas políticas um papel importante de ampliar a visibilidade do legado negro africano como patrimônio cultural brasileiro”, destaca.
A exemplo disso, Rosane fala da aliança entre educação e cultura como instrumento de implementação da Lei 10.639. A idéia é investir na formação docente, produção de subsídios, articulação com todos os sujeitos que integram a escola e outros espaços formativos afim de  resgatar a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à história do Brasil.
“A Fundação Palmares precisa de um plano de ação capaz de oferecer ações para que a cultura africana e afro-brasileira atravesse as praticas pedagógicas das escolas brasileiras e outros espaços de formação”.
 
Fonte: Fundação Palmares

Para destruir a herança da escravidão: políticas de promoção da igualdade racial no trabalho

Por Aida Feitosa Jornalista integrante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira-DF)

Nesse 13 de maio de 2013, que é aniversário dos 125 anos da abolição da escravidão e Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo, é importante discutir políticas púlicas que efetivem a igualdade que não foi conquistada com o fim do cativeiro. Um dos instrumentos existentes é o Estatuto da Igualdade Racial que em seu artigo 39 determina : “O poder público promoverá ações que assegurem a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para a população negra, inclusive mediante a implementação de medidas visando à promoção da igualdade nas contratações do setor público e o incentivo à adoção de medidas similares nas empresas e organizações privadas”.

Há dez dias, durante a Conferência Internacional em comemoração ao Dia Mundial pela Liberdade de Imprensa, promovida pela Unesco, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa destacou a pouca atuação de profissionais negros na mídia brasileira.  Ao afirmar que a presença de pessoas negras  é muito rara, seja em postos de trabalho na imprensa e na teledramaturgia, seja em cargos de chefia, apesar de serem metade da população, o primeiro presidente negro do STF , coloca em evidência um dos principais problemas do Brasil: o racismo no mercado de trabalho.

Basta um olhar atento para as redações, as assessorias de imprensa ou para as bancadas dos telejornais para comprovar a veracidade de tal declaração. Tomemos o caso do telejornalismo. Quantas apresentadoras negras vemos na televisão, quantos comentaristas negros? Em recente pesquisa do IBGE (2011) sobre o impacto de características étnico-raciais na vida social, os entrevistados informaram que a cor ou raça influenciam, em primeiro lugar, nas relaçõesde trabalho (71%) , seguido de justiça/polícia (68,3%) e convívio social (65%).

Outras pesquisas realizadas pelos Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Laboratório de Análises Econômicas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser) e Organização Internacional do Trabalho (OIT) fazem parte da farta literatura que aponta desigualdades de condições da população negra brasileira no ambiente profissional.

A população negra, considerando-se a desigualdade de gênero, apresenta as mais elevadas taxas de desemprego e os menores rendimentos ainda que tenham o mesmo nível de escolaridade, especialmente à medida que se avança nos estratos superiores. O rendimento médio dos homens negros é 78,6% do total do rendimento dos homens brancos. E a taxa de desemprego das mulheres negras é de 12,6 %, comparada a de 9,3% mulheres brancas.

Passados dez anos desde que as primeiras instituições de ensino superior adotaram ações afirmativas raciais para seleção de estudantes, a utilização desse mecanismo para o ingresso no serviço público ou privado pouco avançou. Segundo dados do Ipea, quatro estados e 33 municípios adotaram sistema de reserva de vagas para negros em concurso público. O Paraná é o estado pioneiro, com lei criada em 2003; seguido do Mato Grosso do Sul em 2008 e dos estados Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul em 2011. Além disso, apenas algumas medidas pontuais ou transitórias por parte do governo federal e da iniciativa privada foram tomadas.

A constitucionalidade das cotas tanto no ensino superior (Universidade de Brasília) quanto no serviço público (governo do Paraná) foi alvo de questionamento, e, em ambos os caso foi confirmada a perfeita adequação da medida ao ordenamento jurídico brasileiro. Como demonstra a Ministra Camem Lúcia: “Verifica-se, na Constituição de1988, que os verbos utilizados na expressão normativa – construir, erradicar, reduzir, promover – são verbos de ação, designam um comportamento ativo. (…) Somente a ação afirmativa, vale dizer, a atuação transformadora, igualadora pelo e segundo o Direito, possibilita a verdade do princípio da igualdade que a Constituição Federal assegura como direito fundamental de todos”.

Diante deste cenário, torna-se imprescindível e urgente que o Estado brasileiro estabeleça cotas raciais no funcionalismo público federal, crie incentivos para as empresas contratarem mais pessoas negras e estabeleça medidas para impedir e punir a discriminação racial no trabalho. A construção de uma sociedade democrática e participativa passa, necessariamente, pela ampliação da atuação qualificada da população negra no mundo do trabalho. Reconhecer o quadro de desigualdades e adotar medidas desiguais para promover a igualdade é o primeiro e decisivo passo para a transformação social que esse País tanto precisa. bc_blogueiras-negras Esse post faz parte da Blogagem Coletiva Luiza Mahin organizada pelas Blogueiras Negras nos 125 anos de Abolição.

Lançamento do 3º Prêmio Abdias discute a cobertura de ações afirmativas

Para marcar abertura das inscrições 7 de maio, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-Rio), do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio (SJPMRJ), recebe  às 9h30, o cineasta Joel Zito Araújo, o professor da Universidade do Estadual do Rio de Janeiro (Uerj)  João Feres Júnior e a jornalista da TV Brasil Luciana Barreto. Também será lançado o catálogo da edição 2012.
Criado para valorizar a produção jornalística que torne visível o racismo como fator estrutural das desigualdades socioeconômicas no país, o Prêmio simboliza a busca por um jornalismo plural. Este ano distribuirá R$ 35 mil em sete categorias: Mídia impressa, Televisão, Rádio, Internet, Mídia Alternativa/Comunitária, Fotografia e Categoria Especial de Gênero Jornalista Antonieta de Barros.

No lançamento, a coordenadora da iniciativa, Sandra Martins anunciará o recebimento dasinscrições somente  pela internet, até 31 de julho de 2013 e as metas desta edição. “A cobertura de temas relacionados à população negra e ao racismo no Brasil continua sendo um desafio. Facilitando as adesões, nossa ideia é derrubar pelo menos uma barreira para a participação dos jornalistas”, declarou.

Confirmado para o debate, o coordenador do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (Iesp/Uerj), João Feres falará sobre a cobertura de ações afirmativas pela imprensa. Durante 2001 e 2009, ele analisou a Revista Veja e os jornais Folha de S. Paulo e O Globo. Feres concluiu, entre outras coisas, que os meios de comunicação têm abordagens diferentes, mas “há um viés de editorialização em todos, tanto do ponto de vista do conteúdo, quanto da apresentação do tema em si”.

A mesa terá também o cineasta Joel Zito Araújo, que lançará o trailer do seu novo filme “Raça”, com previsão de estreia nacional ainda em maio. Estudioso da presença do negro/a na televisão brasileira, Zito constatou que os negros/as não estão nas bancadas de programas de TV.  A cultura negra, a história e mesmo o racismo no Brasil, segundo ele, também passam ao largo da programação.

Quem fará a mediação do debate é a jornalista da TV Brasil Luciana Barreto. Vencedora da categoria televisão em 2012, ela também falará sobre os desafios da profissão, especialmente para as jornalistas negras.

Prêmio Nacional Jornalista Abdias Nascimento é realizado pela Cojira-Rio. Conta com apoio das Cojiras de Alagoas, do Distrito Federal, de São Paulo e da Paraíba, além do Núcleo de Jornalistas Afro-Brasileiros e da Diretoria de Relações de Gênero e Promoção da Igualdade Racial dos Sindicatos do Rio Grande do Sul e da Bahia.

As entidades integram a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Étnico-racial (Conajira), da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj). 

Sobre Abdias Nascimento:

Lançado em 2011, o prêmio homenageia o ex-senador Abdias Nascimento. Falecido aos 97 anos, ele se tornou ícone da defesa dos direitos humanos e do combate ao racismo.

Desenvolveu vasta produção intelectual como ativista, político, artista plástico, escritor, poeta e dramaturgo. Natural de SP, participou dos primeiros congressos de negros. No Rio, criou o Teatro Experimental do Negro (TEN) na década de 1940.

Como jornalista, foi repórter do Jornal Diário, além de ter trabalhado em vários periódicos. Fundou o Jornal Quilombo e também foi filiado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio. Ao longo da vida  acumulou vários títulos, entre eles, a de professor emérito da Universidade de Nova York e Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Contato p/ entrevistas(21) 3906-2450/Sandra Martins: 9817-1080

Evento: Café da manhã de lançamento do 3º Prêmio Abdias Nascimento
Data/horário: 07 de maio, às 9h30
Local: Rua Evaristo da Veiga, 16/ 17ª andar/Auditório João Saldanha

Aecesse o site: www.premioabdiasnascimento.org.br

Realização: Cojira-Rio /SJPMRJ
Patrocínio: Ford Foundation, Fundo Baobá, Oi
Parceria: Fenaj, Ipeafro, UNIC-Rio, Cultne, Sated
Apoio: W. K. Kellogg Foundation, Fundação Palmares

Informações: (21) 3906-2450

Seminário Rádio Cultura

A Secretaria de Cultura do Distrito Federal, tem o prazer de convidá-lo para o  “Seminário Rádio Cultura e colóquio de programação”, a ser realizado no dia 25 de abril, no auditório da Biblioteca Nacional de Brasília.

O seminário tem por proposta dialogar sobre a importância do meio de comunicação público, realizar a apresentação da estrutura, programação e ações da Rádio Cultura FM, dialogar sobre comunicação pública, o papel das rádios públicas, abrindo espaço para construção de propostas em conjunto com a comunidade, os artistas e os meios comunitários.

Também será realizada capacitação em conjunto com o Ministério das Comunicações para Rádios Comunitárias.

Data:     25 de abril de 2013

Local:    Auditório da Biblioteca Nacional de Brasília

Setor Cultural Sul, lote 2, Edifício da Biblioteca Nacional

Horário: Das 08h às 18h

 

Programação:

08h00   Credenciamento

09h00   Abertura Mesa sobre Comunicação e Cultura – O papel da comunicação e da rádio pública para a sociedade

10h00   Painel – Qual é a missão de uma emissora do campo público e como pensar sua programação.

12h às 14h – Intervalo

14h00  Apresentação do histórico da Cultura FM e espaço de diálogos e propostas sobre a programação da Cultura FM

15h30 Sistematização de propostas apresentas

16h00  Regras para a execução do Serviço de Radiodifusão Comunitária – Ministério das Comunicações

18h00  Encerramento

Revista Isto É elogia resultados das políticas de cotas

Isto é- CapaReportagem de capa da Revista Isto É, desta semana, aborda sobre o sucesso da política de reserva de vagas para afrodescendentes nas universidades públicas do Brasil, após uma década de implantação.

 A revista, apoiada em pesquisas, informa que os cotistas têm notas mais altas que a média, bom desempenho no vestíbular, ínidices baixos de evasão. De acordo com os dados da matéria a resposta dos estudantes tem ajudado a melhorar a qualidade de ensino do país.

 E mais, a maior parte dos beneficiados pela política de cotas sai das faculdades empregada.

 

Fonte: Sionei Leão

Para marcar a passagem do próximo 13 de maio, quando se completam 125 anos de promulgação da Lei Aurea , data que entrou para o calendário do movimento social brasileiro como Dia Nacional de Denúnicia contra o Racismo, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira- DF), coletivo vinculado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF), promoverá debate com o lema “Abolição 2013: ações afirmativas para a população negra no mercado de trabalho”.

A ser realizado no auditório do SJPDF (localizado no SIG Quadra 2 lotes 420/430/440), na noite de 13 de maio, o debate vai reunir representantes do governo, da sociedade civil e do sindicalismo, nesta, que será uma oportunidade para compartilhar experiências e informações acerca das iniciativas de ampliação, para além do campo do ensino superior, das políticas de cotas raciais no mundo laboral, em especial no serviço público.

A atividade abrangerá ainda o lançamento regional da terceira edição do Premio Abdias do Nascimento, que tem o objetivo de estimular a produção de conteúdos para prevenção e combate ao racismo.

Assim, contamos com o apoio desta entidade sindical para a realização deste evento, já que teremos as seguintes despesas: passagem aérea para dois convidados, impressão de cartazes e buner, serviços de designer gráfico, coquetel e cachê artístico para a apresentação cultural que pretendemos realizar.

 
Nos colocamos à disposição para outros esclarecimentos eventualmente necessários
 
Cojira DF