Carta de repúdio às manifestações racistas sofridas pela jornalista Cristiane Damacena

A Comissão dos Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira-DF) repudia as manifestações racistas à pagina pessoal da jornalista Cristiane Damacena. Mais uma vez pessoas cometem discriminações raciais comprovando que não existe democracia racial no país. Mais uma vez, pessoas são ofendidas por causa da cor da pele. Mais uma vez percebe-se que o 13 de maio não aboliu os negros para não sofrerem preconceito. Não vamos aceitar o racismo que ataca a Cristina Damascena por ela postar uma foto no qual valoriza a identidade negra por meio da pele, do cabelo e da atitude.

As demonstrações de racismo contra Cristiane demostram que a questão racial é um problema não resolvido no Brasil. Apesar de a população negra ser maioria do povo brasileiro, o modelo de hierarquização racial herdado da Europa, prevalece no pensamento de várias pessoas como o ‘correto’. Faz-se necessário as ações afirmativas e se discutir amplamente os efeitos nocivos do racismo no Brasil, que se comprova no genocídio da juventude negra e nos casos de injúria racial.

altofalante

Infelizmente, os casos de racismo têm sido comuns em Brasília. No ano passado, uma australiana agrediu a manicure negra Tássia dos Anjos, referindo-se a ela como “raça ruim”. No mesmo dia, uma cobradora foi vítima de ataques racistas por uma passageira.

Em 2013, em uma padaria da Asa Sul uma cliente não concordou com o preço cobrado por um suco e passou a gritar dizendo que “eram os negros que queriam roubá-la”. Em 2012, um médico se atrasou ao chegar para assistir um filme no cinema e tentou furar a fila. Alertado pela atendente que não poderia fazer aquilo, ele disse: “Seu lugar não é aqui, lidando com gente, você deveria estar na África, cuidando de orangotangos.”

Os jornalistas e as empresas de comunicação precisam ser aliados não apenas na divulgação destes fatos como notícia, mas como estimuladores de uma reflexão sobre a cobertura da questão racial no Brasil. De nada adianta fazer reportagens sobre racismo na internet e seguir com programas policialescos e humorísticos racistas.  Além disto, retratar esse tipo de caso como isolado é uma ingenuidade.

O Brasil é racista de forma estrutural, por isto, faz-se necessário investigar as redes racistas na internet e acompanhar os casos para saber se os responsáveis foram punidos. A negligência da cobertura jornalística em relação ao racismo alimenta criminosos como esses que atacaram a jornalista Cristiane Damacena. Abaixo ao Racismo! Por uma mídia democrática, com diversidade e pluralidade! #somostodascristiane

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Sobre cojiradf
Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-DF), ligada ao Sindicato do Jornalistas do DF.

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