Declaração de Bolsonaro em programa de televisão gera polêmica

Parlamentares de vários partidos pretendem apresentar representação conjunta ao Conselho de Ética contra declarações polêmicas do deputado Jair Bolsonaro. Em entrevista ao programa CQC, da TV Bandeirantes (veja o vídeo), o deputado do PP fluminense criticou o homossexualismo e o sistema de cotas raciais. Ele também defendeu a ditadura militar e enalteceu ex-presidentes daquele período, como os generais Médici, Geisel e Figueiredo. No entanto, a declaração mais polêmica veio em resposta a uma pergunta feita pela cantora Preta Gil.

Preta Gil: “Se o seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?”

Bolsonaro: “Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco, meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o seu”.

Preta Gil considerou a declaração racista e anunciou que vai processar o deputado Bolsonaro. Vários parlamentares também repudiaram a posição do deputado e pretendem levá-lo ao Conselho de Ética da Câmara por quebra do decoro.

O deputado Jean Willys, do PSOL fluminense, afirma que Bolsonaro já vinha, sistematicamente, ofendendo homossexuais e mulheres. Segundo Jean, chegou a hora de se tomar uma atitude diante desta nova agressão, agora contra os negros.

“Estamos todos nos articulando para entrar com uma ação conjunta contra essas declarações absurdas. Um deputado não pode usar a sua imunidade parlamentar para violar a dignidade humana de grupos vulneráveis. Por conta disso, nós não admitimos que esse deputado siga com suas declarações racistas, homofóbicas e incitando o ódio sustentado na imunidade parlamentar.”

O deputado Edson Santos, do PT fluminense, já acionou a Corregedoria da Câmara contra Bolsonaro. A presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputada Manuela D´Ávila, do PC do B gaúcho, anunciou que também fará ofícios à Procuradoria-Geral da República e ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. Segundo Manuela, a intenção é fazer com que Bolsonaro seja investigado por racismo.

“A expectativa é que nós não tenhamos, no Congresso Nacional, espaço para que nenhum parlamentar, independentemente de qual partido ou ideologia, se manifeste defendendo opiniões infringindo a Constituição e as leis brasileiras. Racismo é crime e a Câmara deve ser ágil ao se manifestar sobre isso.”

Já o deputado Jair Bolsonaro garantiu que não é racista nem homofóbico, apesar de ser um crítico ferrenho do homossexualismo. Ele atribuiu a polêmica a um mal-entendido.

“O que eu entendi da Preta Gil foi o seguinte: ‘Caso seu filho tenha um relacionamento com um gay, como você procederia?’ Foi isso que eu entendi. Tanto é que, se pegar minha resposta, não casa com a pergunta do CQC. Alguma coisa errada aconteceu: ou eu não entendi a pergunta, que eu acho que é o mais certo; ou até um possível equívoco no tocante à edição da matéria. Só isso e mais nada. Até porque, quem seria maluco de dar uma resposta daquela. Até mesmo uma pessoa racista não responderia aquilo, muito menos alguém que depende de voto para ficar aqui.”

Segundo Bolsonaro, todas as perguntas anteriores à de Preta Gil diziam respeito a homossexualismo e a cotas raciais, temas que ele diz ser “radicalmente” contra. Quanto ao uso da palavra “promiscuidade” durante a entrevista ao CQC, o deputado disse estar se referindo apenas à vida de Preta Gil, sem fazer referência específica aos negros. O próprio Bolsonaro acionou o Conselho Ética para que possa prestar esclarecimentos ao colegiado o mais rapidamente possível.

Fonte: Rádio Agência Câmara, José Carlos Oliveira

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Seminário discutirá racismo e políticas públicas no Brasil

O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) em parceria com a Universidade de Brasília realiza, nos dias 30 e 31 de março, o “Seminário Racismo, Igualdade e Políticas Públicas”. O evento contará com alguns dos principais especialistas da área e, além de tratar das desigualdades e do racismo enfrentado pelos brasileiros, tem como objetivo discutir temáticas como: cotas, ações afirmativas, Estatuto da Igualdade Racial, comunidades quilombolas, modelo de desenvolvimento e racismo institucional à luz de experiências internacionais e também da atuação do Estado brasileiro.

O racismo é um dos principais fatores estruturantes das injustiças sociais que acometem a sociedade brasileira e, conseqüentemente, é a chave para entender as desigualdades sociais do Brasil. Metade da população brasileira é negra e a maior parte dela é pobre. As inaceitáveis distâncias que ainda separam negros de brancos, em pleno século XXI, são visíveis nas relações diárias e se refletem nos acessos desiguais a bens e serviços, ao mercado de trabalho, ao ensino superior bem como ao gozo de direitos civis, sociais e econômicos.

Um dos principais desafios do evento é discutir as desigualdades raciais à luz das políticas públicas do estado brasileiro. Não é mais possível falar em crescimento e em modelo de desenvolvimento da sociedade brasileira sem enfrentar a forma desigual como os vários grupos sociais se apropriam dos frutos desse desenvolvimento. O debate sobre desigualdades e racismo na sociedade brasileira tem se ampliado, mas é fundamental que essa reflexão vá além de medidas pontuais, como cotas raciais, e passe a explorar as potencialidades de outros meios de promoção da igualdade e combate ao racismo.

Outro propósito do Seminário é discutir o futuro da Agenda de Durban, seu recente processo de revisão e as tentativas de construção de uma convenção Interamericana de combate ao racismo e as discriminações. Além disso, influenciar o debate público nacional e, em especial, a formulação do próximo Plano Plurianual (PPA) do governo federal, que está em andamento é outro objetivo do evento.

Serviço

O que: Seminário Igualdade, Racismo e Políticas Públicas
Quando: 30 e 31 de março
Onde: Anfiteatro 12 – Brasília-DF
Organização: Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc)
Realização: Inesc e UnB
Promoção: Universidade de Brasília, Departamento de Sociologia da Universidade de Brasilia (UnB), Diretório Central dos Estudantes da Universidade de Brasília (DCE/UnB), Nosso Coletivo Negro.
Parceria: Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros e Negras, ONG Criola e Geledés – Instituto da Mulher Negra.

Fonte: http://racismo.inesc.org.br/racismo/visualizar_noticias.php?id=29