Cojira – DF

Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial

Cojira planeja ações de 2009 com auxílio da comunidade

Publicado por cojiradf em Fevereiro 12, 2009

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira-DF) realizará no próximo dia 14 de fevereiro, entre as 8h30 e 13h, encontro aberto à comunidade, voltado para a apresentação das atividades da comissão em 2008 e construção coletiva de um plano de ação para 2009. Estão convidados jornalistas, comunicadores, militantes, estudantes, representantes de movimentos sociais, organizações não-governamentais, coletivos e assessores de comunicação do Poder Público e empresarial.

No local do evento, será oferecido um café da manhã aos participantes. Entre os temas em debate no encontro estará a Conferência Nacional de Comunicação, a política de defesa de rádios comunitárias em áreas quilombolas, a realização de um prêmio de jornalismo de igualdade racial, a política de apoio a alunos cotistas de jornalismo e a elaboração de um banco de fontes e de pautas de igualdade racial e treinamento de mídia com foco nas relações raciais.

O credencimento dos participantes será realizado no local para envio posterior de certificado de participação.

Serviço:

Data: 14 de fevereiro – Horário: Das 9h às 1 3h – Local: Auditório da CUT (Conic) – SDS Ed. Venâncio V – 1º e 2º subsolos – lojas 4, 14 e 20 – Informações: André (8127-9775);Jacira (8413-7199); Juliana (92497074) e Sionei (8407-4294)

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Semana da Consciência Negra

Publicado por cojiradf em Novembro 18, 2008

ATO PELA SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA

20 de novembro – Praça Zumbi dos Palmares – Conic
Pela implementação da Política de Saúde da População Negra no DF
Assine: http://www.petitiononline.com/saudeneg/petition.html

CIRCUITO UNIVERSITÁRIO

· 20 de novembro – 20h – Facitec

Mesa-redonda sobre a Semana da Consciência Negra

Auditório da Faculdade, em Taguatinga

· 3 de dezembro – 19h no Icesp, no Guará I

Imprensa e relações raciais

CINE COJIRA

· 21 de novembro, 20h, no Balaio Café

Exibição dos documentários

“Olhos azuis” e “Por um Fio”

FESTA QUIZOMBA

· 21 de novembro, as 22h, no Clube da Imprensa

Com DJ Josi Black

FÓRUM JORNAL DE BRASÍLIA DE IGUALDADE RACIAL***

· 25 de novembro, às 9 horas

No auditório da UDF

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Criada a Comissão Nacional Pela Igualdade Racial

Publicado por cojiradf em Agosto 28, 2008

Os jornalistas reunidos no II Encontro Nacional das Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojiras do Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Bahia e Distrito Federal) e o Núcleo de Jornalistas Afro-Brasileiros do Rio Grande do Sul, evento integrante do 33º Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado em São Paulo, criaram a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial, órgão consultivo e de assessoramento à Fenaj.

A Comissão Nacional preserva a autonomia das regionais das Cojiras e do Núcleo gaúcho, respeitando as diretrizes dos sindicatos aos quais se vinculam. Também coordenará a implementação de políticas públicas, no âmbito da categoria, em nível nacional. A coordenação provisória está sob responsabilidade de Valdice Gomes, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Alagoas, vice-presidente regional Nordeste II da Fenaj e membro da Cojira alagoana.

Como primeiras ações da Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial estão previstas: a realização de um seminário em data e local a serem definidos para analisar a situação dos afrodescendentes no mercado de trabalho bem como de outras etnias em situação de exclusão social em todo o País; empreender ações de aproximação com entidades, empresas e instituições de ensino nacionais e internacionais com especial atenção aos países de língua oficial portuguesa; promover ações que incentivem o conjunto da sociedade a apoiar a análise e discussão das questões levantadas pela Comissão Nacional.

Integram a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial, os profissionais Valdice Gomes (Alagoas), Vera Daisy Barcellos (Rio Grande do Sul), Paulo Vieira Lima (São Paulo), Sionei Leão (Distrito Federal) e Miro Nunes (município do Rio de Janeiro).

Fonte: Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro

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O fenômeno Obama e perspectivas de mudança

Publicado por cojiradf em Julho 11, 2008

André Ricardo N. Martins *

de Brasília (DF) para o Brasil de Fato

Foi coincidência, mas exatamente na noite da principal data histórica dos Estados Unidos, o 4 de julho, a TV Cidade Livre – emissora comunitária que funciona nas dependências do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Brasília (SJPDF) – veiculou, ao vivo, um debate sobre as perspectivas de mudança na política americana e mundial, dada a possibilidade real de a principal potência militar e econômica do mundo ter à frente do governo a partir de 2009 um representante de uma minoria social e política, os afro americanos.

A iniciativa da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial – Cojira-DF, com apoio do SJPDF, reuniu para debater o tema o jornalista e professor voluntário da Universidade de Brasília, UnB, Andrei Suarez, o jornalista Beto Almeida, chefe da Sucursal da TV TeleSur e o professor de Ciência Política da UnB, David Fleischer.

Virtual candidato democrata à Presidência dos EUA, o senador negro Barack Hussein Obama, representante do Estado do Illinois, ainda causa admiração e alimenta expectativas- não só lá como na maioria dos países do mundo, o Brasil entre eles- de que venha de forma especial a promover mudanças efetivas no cenário político e social da nação americana após oito anos de governo Bush, marcado por uma conveniente e onipresente luta contra o terrorismo, eufemismo para a política de fazer valer seus interesses em nações que até então recusavam ceder às exigências americanas como o Afeganistão e o Iraque.

O professor da UnB, Andrei Suarez, apontou para a força do movimento que levou à vitória de Obama nas prévias democratas como o contraponto à maré conservadora dos anos 80/90 e do começo do terceiro milênio com os governos de Reagan, Bush pai e Bush filho. Uma vertente de pensamento político que tem na direita militar e em setores evangélicos conservadores uma articulação conhecida como maioria moral. Beto Almeida acompanha com bastante interesse a iminência da vitória do candidato democrata haja vista a possibilidade de instauração do contraditório.

Um presidente negro, avalia Almeida, não poderá justificar certas investidas que os governos republicanos dos últimos anos têm feito contra alguns países do mundo e sobretudo contra parcelas expressivas da população americana que não têm direitos como os garantidos por uma previdência social. Essa questão também foi comentada por David Fleischer para quem a ausência de um seguro social deixa milhões de americanos pobres desprotegidos. Em linhas gerais, os debatedores concordam que Barack Obama tem mais sensibilidade e compromisso para, senão resolver, pelo menos alterar aspectos pontuais em questões relacionadas à saúde e à previdência.

A ascensão de Obama dá-se exatamente no ano em que celebra-se nos EUA o quadragésimo aniversário da morte do pastor batista Martin Luther King, um dos mais significativos líderes negros americanos cuja atuação – valendo-se da política de não-violência, de resistência fincada na desobediência civil – contribuiu decisivamente para a remoção de leis de segregação racial nos Estados sulistas e à adoção de políticas de ação afirmativa. Fleischer lembra que o perfil do senador por Illinois difere da típica liderança afro-americana, visto que ele não é um descendente direto de escravos, já que o pai era um queniano e a mãe, uma mulher branca americana. Considera que sua ascensão e o modo como vem conduzindo a política representa um grande avanço na luta contra o racismo nos Estados Unidos.

O poderio da indústria bélica e do Pentágono é visto por Almeida como uma camisa-de-força que vai impor restrições às aspirações e compromissos prévios de diálogo de qualquer político que ocupar a Casa Branca, e o senador não seria exceção. Diante do questionamento sobre o impacto do comando de Obama na política mundial e sua conhecida capacidade de dialogar, provocou: “gostaria de vê-lo conversar com o Hugo Chavez. Até agora nada.”

Na avaliação de Suarez, a habilidade do diálogo, o carisma político e a retórica apaixonada de Obama o aproximam do ex-presidente John Kennedy, cujos discursos mobilizaram multidões. Já Fleischer considera que o perfil do candidato democrata está mais para o ex-presidente Bill Clinton, sobretudo pela capacidade de encantar até mesmo os adversários políticos. Avalia ainda que, assim como JFK quebrou um paradigma ao se eleger o primeiro presidente católico num país de maioria protestante, o senador por Illinois tem grandes possibilidades de quebrar outro, ao ser eleito o primeiro presidente negro da história do país. Faltariam ainda um presidente do sexo feminino e um presidente judeu. E também um presidente assumidamente gay, completou Suarez.

Outro aspecto analisado pelos debatedores foi a cobertura midiática do pré-candidato negro. Os debatedores concordaram que até os primeiros resultados mais consistentes das prévias em fevereiro e março, a grande aposta feita pela mídia americana e pelos analistas era de que a senadora Hillary Clinton ganharia a disputa interna. Essa perspectiva teria feito com que a imprensa fosse mais branda e mesmo generosa com o candidato negro, tido como o fato novo da campanha eleitoral. Para Fleischer, é preciso, no entanto, aguardar os meses de setembro e outubro, após as convenções partidárias, para ver como a mídia vai se comportar diante do fenômeno Obama. Sobre a cobertura do assunto pela mídia latino-americana, Almeida notou que há um alinhamento direto frente aos interesses mais fortes da sociedade e do governo americanos de tal sorte que faltou independência, autonomia na análise das possibilidades suscitadas pela candidatura do senador negro.

Um olhar crítico sobre o candidato Obama, a cobertura da mídia e o desenvolvimento da democracia são alguns dos focos desse debate sobre a emergência do candidato democrata. A iniciativa da Cojira, apoiada pelo Sindicato dos Jornalistas e pela TV Comunitária, pretende fornecer um referencial na discussão sobre o momento eleitoral americano e subsídios para os jornalistas interpretarem a conjuntura americana, algo relevante haja vista o peso que esta tem no futuro político do Brasil, da América Latina e do mundo.

* André Ricardo N. Martins é jornalista, repórter da TV Senado e membro da Cojira – DF.

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Comissão define estrutura administrativa

Publicado por cojiradf em Junho 14, 2008

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do DF (Cojira-DF) definiu no último dia 31 de maio, sua estrutura de organização administrativa. A definição busca ampliar o ritmo e a abrangência de atuação do grupo.

A comissão passa a ser formada por uma coordenação colegiada com cinco membros, que terá mandato de um ano e três meses. A proposta é que essa instância seja renovada anualmente no dia do aniversário da Cojira em agosto. O primeiro mandato vai expirar em agosto de 2009 e tem a seguinte composição:

Sionei Ricardo Leão – coordenador geral
André Ricardo – coordenador de área
Jacira Silva – coordenadora de área
Juliana César Nunes – coordenadora de área
Lecino Filho – coordenador de área

A função do coordenador geral é a de conduzir as reuniões e de representar a comissão externamente, de acordo com as concepções do colegiado, instância maior da comissão composta por todos os membros da Cojira-DF.

As atribuições dos coordenadores de área serão definidas em uma próxima reunião, mas devem se concentrar na gestão dos projetos que a comissão pretende propor à sociedade. Entre eles, palestras e cursos para jornalistas, criação de banco de fontes sobre a questão racial, monitoramento de projetos legislativos, exposições fotográficas e mostra de filmes.

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Resposta do Estadão a Carta de Repúdio

Publicado por cojiradf em Maio 23, 2008

From: Jose Carlos Cafundo <JOSECARLOS.CAFUNDO@grupoestado.com.br>
Date: 2008/5/21
Subject: RES: Carta de repúdio a quadrinho publicado no caderno TV&Lazer
To: cojira@gmail.com

Esclarecemos que a resistência do cabeleireiro nada tem a ver com
cabelos crespos. Dada a evidência de que se trata de personagem com
notória aversão a higiene, não há motivo para enxergar depreciação. Ao
contrário: Cascão é tratado de forma diferenciada porque seus cabelos
são cascudos, sujos, enfim. Se há alguma mensagem na seqüência, ela
apenas endossa a importância de se cuidar da higiene.

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Mais debate em:

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/

No post

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/Blog/texto_blog.asp?id_artigo=2985

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Carta de repúdio

Publicado por cojiradf em Maio 21, 2008

Prezado Editor do Caderno TV&Lazer do Jornal O Estado de São Paulo,

Tirinha do Mauricio de Souza, publica no Estado de S Paulo

O caderno TV&Lazer deste domingo,18, traz, na página 24, sessão Quadrinhos, uma seqüência lamentável do artista Mauricio de Sousa. Nele, Mônica, Cebolinha e Cascão estão sentados na cadeira de um salão de beleza.

Com um rosto feliz e auxílio de tesoura e pente, o cabeleireiro corta o cabelo dos dois primeiros personagens, de cabelos lisos. Com expressão fechada e auxílio de marreta, o mesmo profissional atende o terceiro personagem: Cascão.

Ao hierarquizar e tratar de maneira diferenciada a criança de cabelo crespo, o trabalho em questão comete um ato claro de discriminação, que afeta diretamente a auto-estima de crianças negras, identificadas com o personagem justamente pelas características do cabelo.

Essa perversa depreciação tem sido combatida arduamente por amplos setores da sociedade. Constatarmos o uso dessa abordagem num espaço de tanta influência na sociedade espanta, apesar do discurso em torno do próprio personagem em questão (conhecido por não gostar de tomar banho) ser há muito tempo objeto de questionamento do movimento social negro.

A discriminação é ampliada, no entanto, em quadrinhos como o publicado no último final de semana. Fica o nosso repúdio a essa prática e a esperança de que o jornal não prossiga respaldando tais posturas, inequivocamente perniciosas. É imprescindível uma retratação pública da redação e do artista. Sob pena de ampliação de uma violência cruel, que atinge parcela vulnerável da população e incita práticas de discriminação no ambiente infanto-juvenil.

Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Distrito Federal (Cojira-DF)
Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de São Paulo (Cojira-SP)
Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Rio de Janeiro (Cojira-RJ)
Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de Alagoas (Cojira-AL)

(atualizado no dia 23 de maio para adesão da Cojira-RJ e, no dia 25 de maio, para adesão da Cojira-AL)

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Sexta Luther King – 4ª edição

Publicado por cojiradf em Abril 24, 2008

Governador do Alabama bloqueia entrada de universidade para estudantes negros Na última sexta-feira do mês em que o assassinato do ativista norte-americano Martin Luther King completa 40 anos, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-DF), o jornal Ìrohìn e o Balaio Café promovem a quarta sessão em homenagem a um dos principais líderes na luta pelos direitos civis da população negra. O filme apresentado será Crisis (Robert Drew), que conta a história da disputa judicial em torno da matrícula de dois estudantes do Alabama em uma universidade local, em 1963. O governador Geroge Wallace chegou a bloquear, pessoalmente, a entrada da universidade (foto)

Serviço

Data: 25 de abril (sexta-feira)
Local:: Cineclube do Balaio Café (201 norte)
Horário: 21h
Entrada: Gratuita

Organização: Cojira-DF ( cojiradf.wordpress.com) , Ìrohìn (www.irohin.org.br) e Balaio Café (www.balaiocafe.com.br)

Para saber mais:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Luther_King

Dr. Martin Luther King, Jr. (15 de janeiro de 1929, Atlanta, Geórgia –
4 de abril de 1968, Memphis, Tennessee) foi um pastor e ativista
político estadunidense. Pertencente à Igreja Batista, tornou-se um dos
mais importantes líderes do ativismo pelos direitos civis (para negros
e mulheres, principalmente) nos Estados Unidos e no mundo, através de
uma campanha de não-violência e de amor para com o próximo. Se tornou
a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz em 1964, pouco
antes de seu assassinato. Seu discurso mais famoso e lembrado é “Eu
Tenho Um Sonho”.

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Sexta Luther King – 3ª edição

Publicado por cojiradf em Abril 17, 2008

Sexta Luther King – 3ª edição

No mês em que o assassinato do ativista norte-americano Martin Luther
King completa 40 anos, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial
(Cojira-DF), o jornal Ìrohìn e o Balaio Café promovem a terceira sessão de
vídeos em homenagem a um dos principais líderes na luta pelos direitos
civis da população negra. Participe!

Serviço

Vídeos: Apresentação de trechos de discursos de Luther Kink e atos em sua
homenagem
Data: 18 de abril (sexta-feira)
Local:: Cineclube do Balaio Café (201 norte)
Horário: 21h
Entrada: Gratuita

Organização: Cojira-DF ( cojiradf.wordpress.com) , Ìrohìn (www.irohin.org.br) e Balaio Café (www.balaiocafe.com.br)

Para saber mais:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Luther_King

Dr. Martin Luther King, Jr. (15 de janeiro de 1929, Atlanta, Geórgia –
4 de abril de 1968, Memphis, Tennessee) foi um pastor e ativista
político estadunidense. Pertencente à Igreja Batista, tornou-se um dos
mais importantes líderes do ativismo pelos direitos civis (para negros
e mulheres, principalmente) nos Estados Unidos e no mundo, através de
uma campanha de não-violência e de amor para com o próximo. Se tornou
a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz em 1964, pouco
antes de seu assassinato. Seu discurso mais famoso e lembrado é “Eu
Tenho Um Sonho”.

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Obama e o impasse brasileiro – a cor do brasileiro

Publicado por cojiradf em Abril 10, 2008

(texto publicado no site diretodaredacao.com, em diálogo com o artigo de Eliakim Araújo)

O fator novo na eleição presidencial americana é, sem dúvida, o senador negro Barack Obama. O representante do Illinois faz parte da geração pós-Luther King – o grande ativista, pastor batista e prêmio Nobel da paz que – valendo-se da política da não-violência – liderou um movimento social que logrou vencer uma política segregacionista que atrasava em dois séculos o sonho da América progressista, sonhado pelos pais fundadores da pátria. Com a luta altiva dos negros no sul dos Estados Unidos veio a conquista dos direitos civis, a política de ações afirmativas e, em grande medida, mas não completa, uma progressão social dos afro-americanos. Para isso, a sociedade e o sistema americanos tiveram que se curvar e estender os princípios de sua democracia à comunidade descendente dos escravos que ajudaram a construir a riqueza daquela nação.

Pode-se afirmar que a sociedade americana ainda não resolveu por completo uma persistência crônica do preconceito racial, as investidas de um racismo tentacular e até mesmo uma separação na prática de brancos e negros. Mas o fato é que o sistema americano ousou reconhecer a dívida do país e da sociedade como um todo para com a comunidade afro-americana. Houve dois princípios nesse reconhecimento: a reparação e a compensação. A reparação pressupõe o reconhecimento da dívida, do erro, do pecado da legitimação do mal, no caso, a escravidão e suas conseqüências. A compensação requer políticas de Estado para promover a comunidade, eliminando os entraves existentes a seu desenvolvimento e promovendo de forma determinada a ascensão de pessoas dessa etnia. Isso não como concessões de governo, mas como políticas públicas com impacto sobre o setor privado.

No Brasil – país que compartilha com os EUA o mesmo passado escravista – ainda hoje é forte a falsa noção de que o conceito de racismo não se aplica bem ao contexto nacional. Há alguns anos, a Universidade de São Paulo realizou uma pesquisa sobre o racismo no país. Os números são contundentes e encerram um paradoxo: 97% dos entrevistados afirmaram que não tinham preconceito. A contradição vem em seguida quando 98% disseram conhecer pessoas que manifestavam algum tipo de discriminação racial. Pode-se concluir que é difícil alguém se assumir racista, mas é fácil reconhecer que o outro o é.

Nos últimos anos, por pressão do movimento negro, por força de estudos acadêmicos e pela imposição de acordos que o Brasil tem assinado como integrante de organismos multilaterais, a esfera pública tem enfocado a persistência das desigualdades entre brancos e negros (aqui incluídos os mestiços). Instituições como universidades, o IBGE, o Dieese e outras passaram a trabalhar com esse recorte e a mostrar aquilo que o brasileiro ainda tem dificuldade de admitir. Há sim um racismo estrutural na sociedade brasileira. Ele se expressa desde as pequenas situações do cotidiano até a baixa presença dos negros nas universidades, nos altos cargos das empresas, no oficialato das Forças Armadas, no corpo diplomático, nas três esferas e nos três âmbitos do Poder, nas nossas propagandas, filmes e novelas.

É patético, mas foi por seguir a onda mundial do politicamente correto que nosso mercado publicitário passou a incluir com regularidade a presença de negros nos anúncios e propagandas. A coisa é tão forçada que se chega a reproduzir o mesmo percentual de negros na população de países como os EUA, não mais que 12 ou 13%, quando no Brasil somos, segundo o IBGE, a metade da população. Ou seja, o negro é incluído de modo assaz minoritário e coadjuvante, como que para se evitar a pecha de racista, lá fora, já que aqui a cobrança não é levada muito a sério.

É lamentável constatar que no tocante às finanças públicas, o Brasil vem fazendo seu dever de casa. No entanto, tendo em vista a busca de solução para as desigualdades de ordem racial, o país é reprovado ano após ano. Chega de silêncio, de omissão, de ufanismo fajuto em torno da democracia racial – você ainda acredita nisso? – e de acusações indevidas de racismo reverso. O Brasil precisa reconhecer sua dívida histórica para com os negros e passar a pagá-la. A propósito, a adoção das cotas para negros no ensino superior é um exemplo de política compensatória já em pleno vigor em muitas universidades públicas, mas não se pode parar aí. O fosso é grave demais e exige medidas urgentes. É preciso avançar. Cento e vinte anos de espera é tempo longo demais.

A COR DO BRASILEIRO

Sobre quão negro deve ser um negro para ser considerado racialmente assim… Enquanto nos Estados Unidos ainda se pode, com certa dignidade, chamar um negro de “negro”, no Brasil prefere-se simplesmente chamá-lo de “moreno” e, ainda assim, com a devida cautela…

O certo é que se se chama um negro de “negro”, o próprio negro refuta-se pejorado, excluído, discriminado. O negro no Brasil tornou-se “moreno”, talvez para amenizar as mazelas de um passado eivado de escravização, torturas e reais discriminações, ou talvez para evitar qualquer desconforto que remonte a uma sutil forma de exclusão social.

Os próprios brancos, por vezes, não sabem como se dirigir aos negros nas situações em que se torna imperioso falar o nome “negro” e, porventura, se alguém lhes pede que caracterizem a raça de certa pessoa (negra), com certeza temem ao dizer, por exemplo, “ela é negra”. O “negra” ainda soa desconfortável tanto para o emissor como para o receptor da informação.

A comunicação se faz, por indispensável, de emissor e receptor. A mensagem pode ter o sentido completamente alterado dependendo da maneira como for “filtrada” pelo destinatário. Este, ao interpretá-la, pode recebê-la com ironia (ainda que ela tenha sido emanada de forma sincera), com indiferença (mesmo que realmente tenha um direcionamento específico), com amargura (ainda que emitida de maneira ingênua). Da mesma forma, se de bom espírito o receptor, ainda que a palavra tenha sido falada com cinismo, ele pode, bondosamente, aceitá-la com a (sua) sinceridade, transformando-a numa “mensagem de paz”. Bons ouvidos fazem pacíficas as relações interpessoais. Bons “brancos” fazem dignos quaisquer negros. E bons negros fazem qualquer coisa que qualquer outra raça também faça.

Povo brasileiro: seríamos todos “morenos”? Por que? Medo de evitar desentendimentos entre negros e supostamente brancos? Negros que insistem em não serem chamados assim, por falta de amadurecimento? – Porque realmente os cruzamentos raciais revelam que muito dificilmente encontraremos a “raça pura” perdurada depois de tantos anos de história no Brasil. A antiga segregação, agora no Estado Democrático de Direito, não mais existe porque se chama igualdade e, desde então, tornamo-nos livres para perpetuarmos raças as mais variadas possíveis.

Daí tornamo-nos, também, uma mistura de tudo: desde o “moreno”, que agrada aos olhos e aos ouvidos, ao “branco” que, mesmo não o sendo, ainda persiste em querer “elevar-se” nessa condição.

Brasil de todas as cores, um dia seremos um só abraço. Tal como o leite derramado que se juntou ao sangue do padeiro, em Drummond, formando um único tom (aurora) – assim estamos caminhando nós, na união de etnias e na aceitação de que somos uma mistura que, no final, revelará o caleidoscópio de cores a nos ensinar a real felicidade.

André Ricardo é jornalista, mestre em Comunicação, doutor em Lingüística, repórter da TV Senado e integrante da Cojira-DF. Email: andre33@uol.com.br

Ricardo Medauar Ommati é Assessor Jurídico do TRE, de Minas Gerais. Email: ricardoommati@gmail.com

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